Terça-feira, 24 de Abril de 2007

Colombo – Um dos Melhores Portugueses de Sempre (talvez no próximo concurso)

Ao ler a notícia de que o novo filme de Manuel Oliveira, em início de rodagem, aborda a tese de que Cristóvão Colombo (CC) é português, veio-me à memória uma frase batida o best seller de seu nome “Codex 642” da autoria do nosso Fernando Pessoa (1) do Séc. XXI, José Rodrigues dos Santos (JRS). Não, não vou divagar sobre esse marco da literatura que são as linhas que nos dão a conhecer o poder afrodisíaco da sopa de leite sueco. Só por esta pequena referência penitencio-me, tenho consciência que para um criador do calibre do JRS seja frustrante constatar que a análise à sua obra se cinja, principalmente, a um punhado de linhas. Mas quanto a isso, infelizmente, nada há a fazer, a grandeza literária desse momento é de tal ordem que, inevitavelmente, ofusca a qualidade de todos os demais. Não sei se foi esse o motivo mas a verdade é que o principal eventual mérito do livro, logo a seguir ao já referido, promover o debate público da investigação do Historiador Augusto Mascarenhas Barreto (AMB), acabou por não se concretizar. AMB dedicou vinte anos da sua vida na investigação / desenvolvimento da tese de que CC, português de gema, terá desempenhado as funções de 007 ao serviço de Sua Majestade El Rei D.João II. Segundo as suas conclusões, publicadas em dois livros (este de 1988 e mais este de 1997), D.João II, face à crescente cobiça dos nossos vizinhos pelas riquezas oriundas do Oriente, terá decidido desviar as atenções destes para outro continente que já conhecia, fazendo com que, através de CC, acreditassem que tinham descoberto as costas orientais do continente asiático. O valor desta descoberta é incalculável, não tanto por o homem ser português mas principalmente porque, afinal, ao contrário do que bradam os nuestros hermanos, deste lado da fronteira há muito que já se conhecia a forma geométrica do planeta. Por cá não havia dúvidas quanto ao caminho marítimo mais curto para a Índia, grandes gargalhadas devem ter ecoado em Lisboa com as notícias da felicidade castelhana (só uns anos mais tarde é que se aperceberam que a Ásia ficava um “pouco” mais distante). Segundo as palavras de Miguel Castelo Branco, JRS terá bebido sofregamente a tese de AMB sem deixar uma única palavra pública de louvor à fonte de inspiração. Como se sabe o Codex 632 foi um sucesso comercial mas não teve o condão de lançar o debate do tema. O novo filme de Manuel Oliveira é mais uma oportunidade que, provavelmente, também será desperdiçada. A indiferença das forças mobilizadoras de Portugal em relação a este tema é algo de inclassificável. Em 1991, numa imperdível entrevista concedida à revista Kapa, AMB relatava o alucinogénico episódio da nossa Secretaria de Estado da Cultura de então que, em resposta ao porquê de não ser tomada uma posição, terá formalmente informado a sua inutilidade, como nos seus quadros não havia pessoal qualificado para tal, o melhor seria esperar que os países estrangeiros se manifestassem (quiçá a Espanha ou a Itália). Hoje, 20 anos depois da primeira publicação, o governo português dá alguns sinais de evolução com a presença da ministra da cultura na inauguração da estátua de CC na Vila de Cuba mas sempre com muitas reservas. Referiu na ocasião Isabel Pires de Lima que gostaria imenso que fosse demonstrada a naturalidade cubana de CC mas que relativamente a essa questão, Cuba e muito menos o seu ministério, nada ordenam. Será que o motivo desta incapacidade para ordenar é a existência de algum botão encarnado que quando premido fará cair sobre Portugal uma chuva de mísseis nucleares ou será que a razão continua a ser a mesma, falta de pessoal qualificado. Se a causa é a primeira, os sucessivos governos estão de parabéns, têm conseguido evitar o desastre nuclear, se não o é, porque não se abre os cordões à bolsa e se contrata uma equipa de historiadores de renome, incluindo estrangeiros, para avaliar e emitir um parecer sobre as provas apresentadas por AMB. Seria o procedimento mínimo expectável de qualquer governo que preze pelos interesses do seu país e, estou certo, ficaria mais em conta do que a verba disponibilizada para a realização do novo filme de Manuel Oliveira. Independentemente das conclusões, estaria cumprido o dever para com o nosso passado. Sendo o resultado favorável, Portugal estaria em condições de formalmente solicitar ao Governo Espanhol a disponibilização dos dados referentes ao ADN da família Colombo (CC e o seu irmão) de forma a  poder compara-los com os antepassados identificados na árvore genealógica portuguesa, na qual se inclui o Rei D.Duarte, avô do navegador. Em nome da verdade histórica, o compartilhar de tais informações não poderia ser recusado, além do mais, facilitaria a obstinada pesquisa genética (mas sem os resultados esperados) que tem vindo a ser realizada em Espanha e Itália em busca das origens de CC. Isabel Pires de Lima acha que o seu Ministério pouco pode fazer, talvez o da Agricultura possa ajudar. Duas notas finais, uma para a imprensa portuguesa que, com raras excepções, pouco procurou saber das razões da inércia governamental, a outra para os deputados da oposição que também não têm manifestado qualquer tipo de interesse, destaco, por razões óbvias, o PPM, cujas intervenções do seu líder no parlamento, à data, se resumem na oposição ao corte dos apoios financeiros da companhia de teatro barraca e também na oposição da instituição do dia nacional do yoga.

 

(1) Fernando Pessoa é aquele personagem de chapéu e óculos arredondados que figurava entre os 10 melhores portugueses de sempre.

publicado por Conde da Buraca às 14:44
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2007

Colors

A edição 70 deste interessante projecto dedica-se aos sonhos que Pequim, como outra qualquer grande urbe, alimenta e vorazmente consome. Realizado por dois jovens artistas chineses, este trabalho dá-nos a conhecer as vivências de alguns dos seus habitantes, ajudando-nos a compreender um pouco mais a actual transformação da sociedade chinesa. Que melhor maneira de conhecer a essência de um local do que o próprio relato de quem dele respira. Na fotografia, Qihui, prostituto de profissão, todas as quintas feiras canta num bar vestido de mulher por puro prazer, não recebe um tostão, pagando do seu próprio bolso o pianista que o acompanha nas actuações.

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publicado por Conde da Buraca às 17:51
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2007

The doors

A única banda pela qual percorri 7 km a penantes está de regresso. Aconselho a audição deste Coyote da Antena 3, além das grandes músicas, o convidado do dia presenteia-nos com uns excertos deliciosos de uma entrevista recentemente realizada com os três elementos ainda vivos, bem como com o relato de alguns momentos por si passados nos locais emblemáticos da história dooriana. Um dos temas debatidos é a misteriosa morte de Jim Morrinson que, ainda hoje, mesmo entre os seus companheiros de palco, motiva opiniões divergentes.

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publicado por Conde da Buraca às 09:56
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Terça-feira, 10 de Abril de 2007

Final de Tarde em Pequim

Até numa das cidades mais poluídas do mundo é possível assistir a finais de tarde assim. Este, num dos seus muitos parques cujo único defeito que posso apontar é o excesso de utilizadores. Pequim está a rebentar pelas costuras.

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publicado por Conde da Buraca às 13:43
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Sábado, 7 de Abril de 2007

A Arte de Carregar no Botão

Para os mais cépticos relativamente aos porquês do crescimento económico chinês queria  aqui deixar um exemplo por si só demonstrativo do elevado grau de especialização / formação que a mão de obra deste país atingiu. Tratam-se das milhares de pessoas que todos os dias se dedicam a essa complexa arte que é carregar no botão e as suas diferentes ramificações. Uma das que inicialmente mais desperta estranheza a um ocidental, são as meninas dos elevadores, espaço de trabalho, onde com uma desenvoltura notável carregam no botão correspondente ao andar que desejamos deslocar-nos. Aconselho vivamente a leitura deste  post no China em Reportagem, onde a sua autora nos dá a conhecer, em mais pormenor, um dia destas trabalhadoras especializadas. Depois vamos encontrando outros exemplos, como é o caso da menina do edifício onde passo todas as manhãs, a sua função é carregar num dos oito botões da máquina de café, cada um deles correspondente a um diferente tipo de bebida. Não revela a mesma agilidade da colega do exemplo anterior mas é preciso dizer que também acumula a função de receber o dinheiro, apesar de a máquina possibilitar a inserção de moedas. A conclusão natural de um recém-chegado é de que, por estes lados, a densidade de habitantes manetas é muito superior à média mundial. Mas não, a intenção é simplesmente explorar o conceito da especialização/produtividade até ao limite e, há que dizê-lo, com resultados extraordinários. O facto de a restante massa laboral já não necessitar de reservar células cinzentas para memorizar o modo de como se carrega em botões, possibilita que estas sejam utilizadas para o aperfeiçoamento da sua profissão. Poderá parecer que o impacto é reduzido mas o potencial ainda por explorar é enorme, imaginem a imensidão de equipamentos que exigem o premir do betão. Já se comenta a possibilidade de, brevemente, na compra de um aparelho de tv, estar também incluída a oferta de um profissional no domínio do comando. Claro que ainda há pormenores por afinar, sou da opinião que deveria ser criado o cargo de adjunto que, diariamente, na companhia do seu mestre, aprenderia os segredos da profissão e o substituiria nos dias de doença. Evitava-se assim nessas ocasiões, situações caricatas como pessoas que, deparadas com a ausência da operadora do elevador, optam por não sair de casa, faltando ao emprego, outros há que optam por descer/subir dezenas de andares pelas escadas ou ainda aqueles que tentam carregar nos botões com os dedos dos pés, correndo o risco de se lesionarem com gravidade. Pequenas falhas que, certamente, serão corrigidas. Como se vê, não é apenas com salários baixos que o ministro de economia de Portugal conseguirá atrair o investimento chinês, é também necessário investir fortemente na especialização/formação da mão de obra.

publicado por Conde da Buraca às 11:32
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Domingo, 1 de Abril de 2007

TGV – Mas quando é que as obras arrancam?

O facto de Portugal não estar dotado de uma única linha de TGV é a principal razão pela qual, hoje, ainda não sou um empresário de sucesso. Sempre sonhei que a janela do gabinete presidencial da companhia teria como paisagem de fundo uma linha de comboios de alta velocidade.

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publicado por Conde da Buraca às 17:25
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