Sábado, 30 de Junho de 2007

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Via Arrastão

publicado por Conde da Buraca às 07:28
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

Queridos Vizinhos

Esta fotografia a lembrar o auge da xenofobia nazi foi tirada mesmo por debaixo do edifício onde vivo. Os habitantes de Pequim em geral não expressam o seu amor para com os seus vizinhos do mesmo modo entusiástico com que o proprietário desta superfície comercial o faz mas o sentimento, com mais ou menos intensidade, incluindo o das gerações mais jovens, é o mesmo, a malta não gosta de japoneses. Sessenta anos não é assim tanto tempo para sarar as feridas de uma guerra repleta de barbaridades como o foi a segunda grande guerra, especialmente aqui na Ásia onde os feridos são outros e os medicamentos utilizados nem sempre são os mais adequados. Parece-me interessante deixar aqui algumas reflexões pessoais sobre os porquês desta lenta cicatrização.

 

A primeira é sobre o orgulho deste gigante que em tempos remotos concluiu que além das suas fronteiras nada de interessante poderia advir (daí o simpático apelido de “bárbaros”), reduzindo os seus contactos com o exterior ao mínimo necessário, abdicando de prosseguir com as grandes explorações marítimas realizadas até então e, mais grave ainda, apagando da memória os conhecimentos científicos adquiridos. A invasão nipónica foi um golpe demasiado forte  e difícil de esquecer para este povo orgulhoso do seu passado grandioso. O período entre as perdidas guerras do ópio e o fim da segunda guerra mundial é encarado como um percalço de percurso, sendo a actual fase vista como a recuperação rumo ao lugar que sempre foi seu, a liderança mundial.  

 

Depois temos a bastante criticada (tanto pela China como pela Coreia do Sul) dificuldade do Japão em lidar com o seu passado recente que não tem contribuído nada para a sua popularidade. Assumir os erros do passado, especialmente quando este é recente e pincelado de tons negros não é coisa fácil, devem ser poucos os países ou nenhum que o façam  abertamente. No entanto o Japão tem enveredado precisamente pelo sentido contrário, as recentes alterações nos cadernos escolares é algo que não seria tolerado na Europa se a Alemanha procedesse da mesma forma. Reclassificar o massacre de Nanjing (na época capital da China nacionalista) como apenas um incidente é algo comparável à Alemanha negar o Holocausto, aconselho uma vista a este link da Wikipédia a respeito do referido massacre para terem uma ideia da sua real dimensão.

 

Por outro lado, apesar das palavras bonitas aquando dos encontros políticos, a meu ver, o esforço chinês de educar as novas gerações no sentido da reaproximação tem sido diminuto. Falo obviamente na condição de um recém chegado que, como todos os recém -chegados a um novo país, ainda tem muito por conhecer. Mas há pormenores que saltam há vista e que dão para imaginar o todo. Basta ligar a televisão e fazer uma ronda pelos inúmeros canais  para encontrar um qualquer documentário dedicado às atrocidades cometidas pelos japoneses na segunda grande guerra. Não quero com isto dizer que, em nome das boas relações, a história deva ser ocultada, apenas parece-me exagerada a frequência com que este tipo de programas são emitidos.  Mais escandaloso é o próprio canal reservado às crianças também não escapar à regra, há uma série de cartoons em que soldados japoneses, os maus da fita, são constantemente ridicularizados.  Se calhar exagero mas penso ser característica comum de regimes totalitários, a existência de um inimigo exterior (nem que para isso se crie um) como factor de união do país, como agora o Capitalismo até é boa pessoa talvez o Japão seja o substituto.

 

A verdade é que por cá, apesar de decorridos mais de 60 anos e de, actualmente, o Japão ser o maior parceiro económico da China, ainda há importantes passos a dar por ambas as partes. Um clima de paz mas com a sombra do xenofobismo por perto, pode, de um momento para o outro, transformar-se numa negra tempestade. Mas isto, provavelmente, é só a minha veia apocalíptica a falar ou, mais provável ainda, o síndrome de encerramento de um post exageradamente longo.

 

publicado por Conde da Buraca às 15:41
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Sábado, 16 de Junho de 2007

OK Computer

É só para dizer que hoje faz dez anitos  que “Ok Computer” se deu a conhecer ao mundo.  Parece-me um acontecimento bem mais importante do que, por exemplo, a 16 de Junho de 1963, Valentina Vladimirovna Tereshkova (que querem? 10 meses sem wikipédia dá nisto, já passa...) se ter tornado na primeira mulher no espaço. O vídeo escolhido, também ele muito bom, é o da soberba “Paranoid Android”.

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publicado por Conde da Buraca às 16:45
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Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Parece que era do Real Madrid

Na sequência deste primeiro post sobre a naturalidade de Colombo, não posso deixar de registar que quem já não parece ter dúvidas são os espanhois (qual genovês, qual quê), acaba de ser eleito como o terceiro melhor espanhol de sempre. 

publicado por Conde da Buraca às 14:34
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Domingo, 10 de Junho de 2007

O Provincianismo Português

Delicioso e demolidor este extracto de um texto de Fernando Pessoa intitulado de “O Provincianismo Português”. A sua opinião a respeito da, por vezes endeusada,  ironia de Eça de Queiroz.

 

“O exemplo mais  flagrante do provincianismo português é Eça de Queiroz. É o exemplo mais flagrante porque foi o escritor português que mais se preocupou (como todos os provincianos) em ser civilizado. As suas tentativas de ironia aterram não só pelo grau de falência, senão também pela inconsciência dela. Neste capítulo, “A Relíquia”, Paio Pires a falar francês , é um documento doloroso. As próprias páginas sobre Pacheco, quase civilizadas, são estragadas por vários lapsos verbais, quebradores da imperturbalidade que a ironia exige, e arruinadas por inteiro na introdução do desgraçado episódio da viúva de Pacheco. Compare-se Eça de Queiroz, não direi já com Swift , mas, por exemplo, com Anatole France , Ver-se-á a diferença entre um jornalista, embora brilhante, de província, e um verdadeiro, se bem que limitado, artista.”

 

In “Notícias Ilustrado”, n.º 9, série II, Lisboa, 12 de Agosto de 1928

 

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publicado por Conde da Buraca às 06:20
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Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Aquele dia que por cá ninguém fala

Há quatro dias atrás foi aquele dia na China que todos nós sabemos mas que dele aqui ninguém fala. Foi há 18 anos. Esse acontecimento, as sanções internacionais que se seguiram e o fim da U.R.S.S . terão sido interpretados pelos líderes de então como um sinal de necessidade de mudança. Aos poucos foi reaproximando-se do Ocidente e este seduzido pelas potencialidades deste mega mercado acabou por esquecer o tal dia que nós sabemos. Questiono-me se este esquecimento não terá sido o melhor que o Ocidente alguma vez poderia ter feito pelo povo deste país. No exterior penso que é generalizada a opinião de que o regime político chinês está, com o passar dos anos, de pedra e cal, de facto, assim é, a possibilidade de nos anos próximos surgir um movimento democrático de oposição é algo impensável. Vivo em Pequim, uma mega urbe cuja realidade sei não ser a realidade do interior mas que é a mesma de outras grandes cidades espalhadas por esta China fora, ou seja a realidade de centenas de milhões de pessoas e do grosso da massa crítica. O povo está feliz, longínquos são os tempos em que predominava o azul/verde das vestes operárias, o telemóvel e o leitor mp3 , na próxima geração, segundo a Lei de Darwin, serão os novos orgãos humanos dos habitantes deste canto do planeta, os jogos olímpicos estão à porta, vive-se uma espécie de bebedeira colectiva tamanho é o excesso de novidades.  O orgulho pelo desempenho do governo é notório, quando a fórmula mágica deste apenas consiste na abertura das portas ao investimento exterior e nos miseráveis salários. Tem sido um empurrar com a barriga que tem sido conveniente a todos, a última concessão foi o reconhecimento da propriedade privada (ainda não nos moldes como conhecemos, mas um importante passo). Depois há a internet, esse gigante que nem mesmo o filtro chinês consegue dominar (discordo daqueles que criticam o Google por censurar certos conteúdos, a sua presença faz muito mais pela democracia do que a sua ausência). O ser humano tem aquele pequeno defeito chamado ambição, quer sempre mais, os chineses não são diferentes, não se contentarão eternamente com as mesmas conquistas, liberdades, os mesmos salários. Como isto de controlar a felicidade do povo de um país “capitalista” não é coisa fácil, os salários, naturalmente, acompanharão o crescimento económico até que, um dia, a economia já não será tão competitiva e o poder de compra diminuirá. Nessa altura as brilhantes qualidades dos timoneiros serão postas em causa e a pergunta “Se estes tipos não conseguem porque não outros? ” surgirá e, quem sabe, até do interior do próprio partido. Talvez então se faça a transição pacífica para uma democracia multipartidária, talvez um dia aquela praça que todos nós sabemos  receba flores de homenagem aos jovens que deram o bem mais precioso que tinham e não de homenagem a corpos embalsamados que em vida se julgaram imperadores.  Divagações, quem sabe...

 

Nota: A fotografia foi furtada no China em Reportagem.

 

publicado por Conde da Buraca às 12:58
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Terça-feira, 5 de Junho de 2007

He is alive

Parece  que o homem conseguiu sobreviver ao lançamento do seu blog em livro (experiência que já vitimou uns tantos), lá arranjou tempo, motivação, não sei... o que sei é que regressou em grande forma... João Pedro Costa no Aspirina B, a não perder.

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publicado por Conde da Buraca às 10:29
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