Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Portugal na China

Talvez a China seja um dos mais suspeitos barómetros da visão estratégica de Portugal  enquanto Nação que supostamente se quer cada vez mais forte neste competitivo mercado global mas, a meu ver, é um local priviligiado para se aferir tal medição. O método não consiste na contagem dos produtos portugueses que se pode encontrar neste mercado composto por um quinto da população mundial, tal tarefa revelar-se-ia excessivamente morosa e o resultado aquele que se sabe, miserável. Além disso, as conclusões que se poderiam extrair desse conhecido resultado, no máximo, dir-nos-iam que no passado Portugal andou a dormir e nada sobre a actual estratégia cujos frutos ainda poderão estar por colher. O método então utilizado é muito mais simples e consiste na comparação do esforço que tem sido desenvolvido pelos dois países ibéricos no sentido da divulgação e promoção das suas línguas e culturas por estas paragens. Portugal continua a olhar para a China como esta fosse Macau, em vez de aproveitar essa porta como plataforma para os grandes centros de decisão onde o futuro acontece (Pequim e Xangai) continua agarrado às velhas glórias do passado. A promoção da nossa língua fora de Macau é um deserto. Segundo a webpage do Instituto Camões, este contribui com uma rede de docência de seis professores distribuídas por outras tantas universidades chinesas. O número parece simpático mas na minha opinião, além de ser muito pouco, os frutos que Portugal retira desse esforço em termos de incremento das relações económicas entre os dois países é nulo. Baseio esta conclusão nas conversas que já tive com alunos de português de duas universidades de Pequim. Ao que parece os licenciados em português não têm qualquer problema em encontrar um emprego bem remunerado, são na sua maioria rapidamente absorvidos pelas grandes companhias chinesas que operam em Angola e no Brasil. O Centro Cultural do Instituto Camões em Pequim que deveria ter um papel importante na oferta de cursos da língua portuguesa que não licenciaturas, cursos com horários pós–laborais em que os empresários chineses interessados nos produtos portugueses poderiam investir na formação dos seus funcionários, vive confinado a um espaço cedido pela Embaixada de Portugal de reduzidas dimensões que limita a organização de algo mais do que umas esporádicas exposições de uma dúzia de quadros na mesma única sala onde é possível leccionar português. Tendo em consideração as dimensões dessa sala “multiusos” poderá estimar-se com uma dose generosa de optimismo que, no máximo, 30 alunos frequentam todas as semanas os cursos de português proporcionados pelo Centro Cultural do Instituto Camões de Pequim. O plano de actividades disponível na internet é por si só demonstrativo do desinteresse de Portugal, reporta-se ao ano de 2006 e metade delas continuam com data por definir. Já os nuestros hermanos não andam a dormir. Para além de o espanhol ser uma língua com presença em diversas universidades e em diversas escolas privadas, o Instituto Cervantes também está presente com instalações próprias. Trata-se de um novo edifício (ver aqui fotografia da fachada) dotado de inúmeras salas de aula, de uma biblioteca com já alguns milhares de exemplares,  salas de exposições e auditório. Proporciona uma variada gama de cursos com diferentes níveis, para crianças e cursos especialmente vocacionados para a área dos negócios (acho que este pormenor diz tudo). Dispõe de uma página na internet muito bem estruturada que pode ser também consultada na língua chinesa (outro pormenor revelador). Depois há  todo um vasto programa cultural, 2007 foi o ano de Espanha na China (ver página criada para o efeito), centenas de actividades culturais foram realizadas nas mais importantes cidades chinesas, despertando um interesse cada vez mais crescente pelos nossos vizinhos. Já é possível assistir nos canais de televisão a touradas de uma praça madrilena !!! O abismo entre o programa de actividades das duas Instituições é de tal forma profundo que o argumento da actual discrepância económica entre Portugal e Espanha soará a ridículo. O nosso problema não é a falta de recursos naturais, o nosso problema são os portugueses.
 
publicado por Conde da Buraca às 20:01
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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

Lover´s Spit outra vez - I like it all that way...

aqui tinha manifestado a minha paixão por esta belíssima criação dos Broken Social Scene . Não foi suficiente... tenho a dizer que é das poucas coisas que leva este cada vez mais intolerante ateu a questionar a existência de Deus.

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publicado por Conde da Buraca às 17:29
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

O Tempo

O tempo tem sido escasso e não permite mais do que estas poucas palavras a dar conta disso mesmo. Um bom ano e até breve.

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publicado por Conde da Buraca às 16:37
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