Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Uma aventura no jornal Avante

A propósito do último post, ocorreu-me visitar o site do Jornal Avante que encontra sempre formas muito peculiares de se pronunciar em relação a estas datas tabu da história do comunismo. Quando me preparava para desistir eis que, perdida no meio de um longo protesto de Vasco Cardoso (datado de 04/06/2009) contra a forma como a comunicação social acompanhou a campanha da CDU para as europeias, surge o que procurava. Atentemos então:
 
“Entre outras situações, foi particularmente evidente e escandaloso o papel a que se prestou a RTP na operação montada pelo PS a partir dos incidentes nas comemorações do 1º de Maio em Lisboa, ou a recuperação de acontecimentos com 20 anos, nas vésperas das eleições, como os ocorridos em 1989 na República Popular da China.”
 
Concentremo-nos na segunda parte da frase e tentemos compreender a linha de pensamento do seu autor. Apesar da timidez com que se refere ao tema penso que não há dúvidas de que se trata da barbárie cometida pelo exército de libertação da República Popular da China contra os jovens estudantes na praça de Tiananmen. Será que Vasco Cardoso não considera esse acontecimento relevante o suficiente para merecer destaque televisivo (mesmo tendo em consideração que 20 anos é uma data redondinha e como tal propícia para evocações)? Ou acha que sim mas não na data em que realmente se cometeu a cobarde matança? Talvez uma semaninha depois, numa pequena referência de meio minuto no segundo canal, na hora de fecho. Por outro lado fica a dúvida se o problema de Vasco Cardoso é a idade do acontecimento. Depreende-se que acontecimentos com o mínimo de 20 anos de idade deverão ser votados ao esquecimento, especialmente se coincidirem com as épocas eleitorais. Nesse caso pergunto se o 25 de Abril que o PCP tanto tem como seu ou ainda a data do assassinato de Catarina nas mãos da PIDE, dois acontecimentos com mais de vinte anos, ocorrerem nas vésperas de eleições, qual deverá ser o papel da comunicação social face a este infortúnio de coincidências.  É neste partido que reduz a tragédia de Tiananmen a um acontecimento de 20 anos e como tal já fora da validade para ser recordado que mais de 10% dos portugueses confiou o seu voto nas eleições de Domingo. O PCP é muito provavelmente o único partido comunista da Europa Ocidental que subsiste e que tem vindo a reforçar a sua posição. Este facto é por si só demonstrativo do estado do País e da incompetência dos políticos que nos têm governado. Em tempos idos votei PCP, um pecado de juventude, participei mesmo numa lista candidata à freguesia da vila onde cresci a convite de um amigo que muito prezo e que não é da mesma estirpe da do camarada Vasco. Hoje teria que recusar, amadureci o suficiente para perceber que o comunismo, em nome do colectivo, oprime a individualidade e que nos países onde governou especializou-se na produção industrial de miséria humana e da opressão.
publicado por Conde da Buraca às 22:24
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