Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Descobrir Eça

 

 

Para além do magnífico cheiro a sardinha assada que se inala em cada dobrar de esquina e da constante passagem de aviões a baixa altitude que nos dão a tranquila sensação de que estamos perto dos barcos salva vidas no caso de Portugal se afundar de vez, Matosinhos tem também outras qualidades. Uma delas é a Biblioteca Municipal Florbela Espanca cuja vastidão de obras se estende desde as consagradas até às mais recentes, sendo um belo exemplo de serviço público, especialmente nestes tempos de crise em que o livro é cada vez mais um bem de consumo reservado a uma pequena minoria. Outra não menos importante característica da biblioteca é a sua estratégica localização, a apenas um atravessar de rua da minha residência, inviabilizando a desculpa esfarrapada dos tempos modernos da falta de tempo. Assim 2009, tem sido um bom ano em termos de leituras, longe dos patamares do professor Marcelo mas  suficiente bom para impressionar quem me rodeia com os conhecimentos que tenho das obras completas de Noddy, Nina, Nino e Guau ou ainda da Branca de Neve e os Sete Anões. Por vezes, quando os pequenos diabretes o permitem, aventuro-me noutro tipo de leituras, sendo “A Cidade e as Serras” do nosso Eça a que mais me surpreendeu e fascinou. Penitencio-me de só aos 33 anos ter posto os olhos neste pequeno património nacional e confesso envergonhado de que só o fiz depois de ler um editorial da revista Ler, onde o seu autor (Francisco José Viegas) descreve o seu espanto quando questionou uma numerosa plateia de estudantes sobre quem é que já tinha lido a obra e apenas obteve uma resposta positiva. É um privilégio ser transportado pela pena refinada de Eça para dois mundos diametralmente opostos como o são a Paris vivida pela poderosas elites de então e o interior rural português do final do séc. XIX. É também surpreendente a actualidade das questões que levanta, o que nos leva a pensar que o mundo de hoje não é assim tão diferente do daquela época. Desconfio que “A Cidade e as Serras” tem muito de autobiográfico e que é com esta obra que Eça se reconcilia com Portugal que tanto criticou. A partir de agora sou fã incondicional do Eça, amanhã já não corto o bigodinho e começo a usar lente.

 

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publicado por Conde da Buraca às 00:56
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