Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

Ensino Multilingue – Toda a Verdade

Um dia, os livros da História Universal vão referir-se a 04/01/2007 como a data em que Portugal desperdiçou a última oportunidade para voltar a integrar o pelotão das nações mais prósperas e desenvolvidas do planeta. Tenho que confessar que pertenço ao grupo daqueles que se congratulou com o chumbo do projecto-lei do ensino multilingue apresentado pelo Bloco de Esquerda no parlamento, não conseguia compreender o raciocínio das lides bloquistas. Hoje, tenho noção das graves consequências do referido chumbo. Mas é justo que se diga que a grande responsabilidade do resultado é do próprio Bloco de Esquerda que, ao não revelar os verdadeiros porquês da proposta, contribuiu para o conhecido triste fim. Segundo fonte interna do BE, a origem da proposta não terá partido do interior do partido mas sim de uma investigação de décadas elaborada pela conceituada astróloga Maya. Apresenta essa investigação como factos inquestionáveis a visita ao nosso planeta, já no próximo ano de 2020, das primeiras naves dos habitantes de uma galáxia longínqua anos luz mais desenvolvida, poderosa e populosa. Felizmente as intenções destes novos vizinhos serão pacifistas, pretendendo apenas alargar o espaço comercial à nossa galáxia. Em apenas três anos controlarão a economia mundial e tentem lá adivinhar quem serão os grandes beneficiados. Pois, segundo os cálculos astrológicos da Maya, a língua materna dos E.T.´s é uma das seguintes três: crioulo, ucraniano ou romeno (a dúvida deve-se a uma chuva de meteoritos não prevista). Percebe-se claramente a intenção do BE, dotar as nossas futuras gerações das melhores ferramentas para competir no futuro mercado inter-galático. Ousaria no entanto afirmar que o BE foi pouco audaz, apenas 30% de portugueses nas turmas multilingues, porque não o Crioulo como nova língua nacional e as restantes já no 2º. ciclo? A dúvida que subsiste é saber qual a razão que terá levado o BE a esconder, sob a capa da adaptação das minorias em Portugal, o verdadeiro motivo da proposta aos portugueses. Segundo uma fonte próxima da Maya, esta afirma sentir-se amordaçada como Galileu o foi pela Inquisição, sente-se traída com o comportamento do BE, pois terá revelado as suas descobertas, confiando que o partido que se orgulha da modernidade das suas ideias não teria complexos em assumir publicamente a crença nessa ciência exacta que é a astrologia. Correm rumores que a Maya equaciona a possibilidade de abandonar o país, tendo mesmo a Espanha já oferecido José Saramago e Olivença como moedas de troca. Esperemos que esse cenário horrendo não se concretize… Há quem opine que Louçã terá receado a aprovação por unanimidade da sua proposta e o peso da responsabilidade daí inerente, situação nunca antes vivida pelo partido. É também comentado que foi encontrada a seguinte inscrição nas instalações sanitárias do parlamento “a referência a Maya e às suas descobertas, seria o admitir de que o BE não tem ideias próprias”. A ser verdade esta última teoria, é incompreensível pois toda a gente sabe que não há um único partido com ideias próprias e que um bom político é aquele que sabe aproveitar as boas ideias dos outros. A realidade é que, independentemente dos motivos do BE, a oportunidade foi desperdiçada e Portugal, mais uma vez, ficou a perder.
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publicado por Conde da Buraca às 18:17
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2 comentários:
De Carriço a 20 de Janeiro de 2007 às 11:47
A perseguição à Maya começa a ser notória e é de uma injustiça tremenda. Já na semana passada tentaram fazer crer que a senhora havia bebido uns copos e depois conduzia. Só pode ser falso. Se lhe fossem fazer uma operação Stop é evidente que os astros a informariam com antecedência!
Quanto ao Bloco, aquela inscrição é terrível. O Bloco não tem ideias próprias? Não posso... :)

Abraço
De olivencalivre a 21 de Março de 2009 às 23:33

2) O ARTIGO DOUTRO HISTORIADOR
OLIVENÇA DEFENDE PORTUGUÊS
(grande fotografia do Convento de São João de Deus em Olivença, com carros e pessoas à
sua porta)
ANTÓNIO MARTINS QUARESMA/HISTORIADOR
Conforme o «Alentejo Popular» noticiou no último número, realizou-se no passado 28 de
Fevereiro, em Olivença, um encontro, que teve por tema central o português oliventino,
isto é, o português alentejano ainda falado naquela cidade pela franja mais idosa da
população.
A organização deste Encontro deve-se à recentemente fundada associação oliventina Além
Guadiana, que, estatutariamente, persegue a revitalização das raízes culturais
portuguesas, em particular da língua. Esta Associação, dirigida por jovens, representa em
Olivença uma nova maneira de encarar a cultura tradicional, valorizando-a e combatendo o
preconceito que normalmente atinge as formas de cultura popular.
O Encontro foi apoiado pelas instituições locais e regionais espanholas, como o
"Ayuntamiento" de Olivença e a Junta de Extremadura, que aliás estiveram presentes
através do Presidente da Junta, o também oliventino Guillermo Fernández Vara, e pelo
"Alcalde" de Olivença, Manuel Cayado Rodríguez.
Recorde-se que em Olivença, antiga vila portuguesa desde o século XIII, anexada à
Espanha no princípio do século XIX, o português se falou maioritariamente, até há bem
pouco tempo. Hoje em dia, é falado apenas por uma minoria, mas os vestígios materiais da
presença portuguesa são numerosos e muito visíveis. A influência portuguesa é sentida
também nos «pormenores». A doçaria, por exemplo, onde sobressai um saboroso doce, que dá
pelo peculiar nome de técula-mécula, é familiar ao nosso gosto alentejano.
Nesta jornada estiveram presentes alguns linguistas, portugueses e espanhóis, cujas
comunicações se revestiram de alto nível. Eduardo Ruíz Viéytez fez ressaltar a ideia de
que a defesa das línguas minoritárias, como o POrtuguês oliventino, é também uma questão
de Direitos Humanos e uma preocupação do Conselho da Europa. Juan Carrasco González
explicou as variedades linguísticas da fronteira. Lígia Freire Borges falou no papel do
Instituto Camões. José Gargallo Gil dissertou sobre fronteiras e enclaves na Península.
Manuela Barros Ferreira trouxe o MIrandês, a língua minortitária de trás-os-Montes.
Manuel Jesus Sánchez Fernández focou as dificuldades do Português oliventino. Servando
Rodríguez Franco mostrou exemplos de alterações toponímicas em Olivença, resultantes da
interpretação castelhana do POrtuguês. Domingo Frades Gaspar discorreu sobre a língua do
vale do Eljas. António Tereno, o único responsável político português presente, explicou,
por sua vez, as vicissitudes por que tem passado o processo de «classificação» do
«barranquenho».
Um momento especial foi a intervenção de José António Meia-Canada (querem apelido mais
alentejano?), natural de Olivença, que, na sua língua materna, deu genuíno testemunho do
Português oliventino.
Por fim, foi projectado um projectado um documentário sobre o Português de Olivença,
realizado a propósito. Após a projecção, com a noite já entrada, a Jornada terminou, no
meio de geral satisfação, pelo seu êxito e pela geral convicção de que se estão a
realizar acções profícuas no sentido da defesa do Português oliventino.
Uma palavra ainda sobre a Associação Além Guadiana. Ela tem o seu sítio na "net", onde
se podem encontrar notícias sobre as actividades que desenvolvem, para além de diversas
informações com interesse. Basta procurar no Google, ou ir directamente aos endereços
"http://wwwq.alemguadiana.com" e "http://alemguadiana.blogs.sapo.pt/". O Presidente da
Direcção é Joaquim Fuentes Becerra. Os restantes mebros são Raquel Sandes Antúnez,
conhecida de todos os que gostam de boa música e do grupo oliventino Acetre, Felipe
Fuentes Becerra, Fernando Píriz Almeida, Manuel Jesús Sanchez Fernández, Eduardo Naharro
Macías-Machado, Maria Rosa Álvarez Rebollo, José António González Carrillo, António
Cayado Rodríguez e Olga Gómez.
À laia de apelo, deixamos aqui uma nota final, dirigida especialmente às entidades
portuguesas responsáveis pela política cultural, para que, à semelhança do que fazem os
nossos amigos oliventinos, também em Portugal se preste atenção ao Português alentejano
de Olivença.


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