Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006

Oferta de Emprego-Empresário e Consultor de Imagem - Enviar Currículo para o Gab.Rec.Hum. do Paraíso

É verdade, a carreira de Deus já viveu melhores dias, a continuar assim, corre o risco de se transformar numa espécie de banda do tipo os ABBA que ano sim, ano sim, lá pelo Natal, relembram-nos da sua existência, lançando um Best Off com uma nova sequência das mesmas músicas de sempre. Não obstante ser de louvar o esforço descomunal que a referida banda desenvolve para que, ano após ano, as posições dos hits não se repitam (aproveito para informar que a última música da Colectânea de 91 é a primeira da de 92, o que é chato para quem ouve os dois álbuns de seguida, um pormenor a melhorar), uma audição mais experiente acabará por detectar com algum custo, é verdade, que não há nada de novo (lamentámos decepciona-lo). Serve a analogia para registar que Deus, talvez pelo estatuto de estrela que adquiriu ao longo dos séculos, já não sente necessidade de aparições públicas ou de compor novos milagres. Os clássicos continuam a ser grandes Obras, especialmente Fátima, aí transcendeu-se, fazer com que o movimento do Sol apenas fosse observado na Cova da Iria e não provocasse a desintegração do sistema solar, não é para qualquer um, genial, estiveste bem pá. Pena é que só se dê importância à aparição da Virgem, nada que não surpreenda neste mundo que não sabe quem foi o primeiro Prémio Nobel da Física mas não esquece o primeiro anúncio televisivo da Maxman (já agora, se alguém tiver o vídeo, o e-mail está ali na coluna do lado). Pois… Deixemo-nos de desabafos e vamos ao que nos trouxe por cá, o problema é que foi precisamente no século de todas as mudanças que Deus decidiu recolher-se nos seus aposentos celestiais. Problema, porque relatos de milagres com pastorinhos e ovelhas já não cativam as crianças, há que renovar o stock com personagens e objectos do nosso tempo. Talvez uma criança que se delicia com a morte do seu centésimo tamagochi por maus tratos e, de repente, do nada, surge uma luz ofuscante que a cega temporariamente e a repreende de tal forma que, quando desaparece, o menino decide tornar-se num missionário e, de casa em casa dos seus colegas de escola, alimentar os tamagochis oprimidos. Depois esse estilo discreto pode ter funcionado no passado, quando não havia televisão, Internet, o pessoal deitava-se ao pôr do sol, acordava com o cantar do galo e o único livro em casa era a Bíblia, mas no século XXI é suicídio (pecado). As famílias são constantemente bombardeadas com informação de todo o tipo que as levam a descurar, duvidar ou mesmo a ignorar os ensinamentos religiosos, são teorias evolucionistas, são os Códigos Davinci´s, os Hélderes que não largam a porta de casa, a provocante vizinha do lado (as vestes mudaram muito, melhor, diminuíram muito), o papa que não dá uma para a caixa e sei lá que mais. Quem tem fé deve resistir às tentações, tudo bem, mas uma aparição de vez em quando ajudava. E o que dizer das cada vez mais crianças que crescem sem os ensinamento das palavras santas dos evangelhos, também serão elas pecadoras? Não, claro que não. A mudança não pode ser mais adiada, o contacto com os humanos tem que ser mais directo, mais agressivo. Porque não se aproveita as novas tecnologias? Talvez um website onde Deus respoderia online às dúvidas dos crentes, onde se poderia downloadar os melhores milagres de sempre, com jogos religiosos para crianças, concursos que premiassem prémios aliciantes do tipo canetas e aventais com a inscrição “Jesus is Sexy”. E porque não, um God´s World Tour, ahh? Grandes palcos, onde ao vivo, Deus, him self, curava em simultâneo um paralítico e um cego para delírio da multidão, para o encore, se a actuação fosse na Etiópia ou na Somália, reservava-se o milagre da multiplicação do pão e do peixe. Enfim, uma imensidão de possibilidades que não são aproveitadas pelo nosso criador. Uma, apenas uma explicação é aceitável para tal displicência, Deus está mal acompanhado, está rodeado por conselheiros que de nada o informam, incompetentes que se agarraram às mordomias adquiridas, só pode ser isso, Deus não nos abandonaria…
publicado por Conde da Buraca às 14:24
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3 comentários:
De devilhot a 26 de Dezembro de 2006 às 16:19
Estava a pensar em abrir um Blog sobre a religião mas acho que não vale a pena pois já esta tudo dito ou quase.
Continua, gosto muito de ler o que escreves
De Conde da Buraca a 31 de Dezembro de 2006 às 07:53
Devilhot,
Isso de gostares de ler o que escrevo não é bom sinal, aconselho uma visita com a máxima urgência à secção de psquiatria do hospital mais próximo.
De auditoria interna a 20 de Outubro de 2010 às 14:42
Muito bom ;)

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