Domingo, 1 de Abril de 2007

TGV – Mas quando é que as obras arrancam?

O facto de Portugal não estar dotado de uma única linha de TGV é a principal razão pela qual, hoje, ainda não sou um empresário de sucesso. Sempre sonhei que a janela do gabinete presidencial da companhia teria como paisagem de fundo uma linha de comboios de alta velocidade.

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publicado por Conde da Buraca às 17:25
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Quinta-feira, 29 de Março de 2007

O Grande Firewall Chinês – Update

Pois é, essa outra grande muralha continua em obras, desta feita, o bárbaro Blogspot, após uns breves dias de castigo, foi ontem novamente contemplado com o privilégio de poder aceder ao farol da humanidade que é a China. Provavelmente, alguém, movido por uma inveja incontrolável, terá utilizado o Blogspot para publicar conteúdos nada abonatórios a respeito das políticas deste país. Assim, depois de uma estadia com o grupo de intriguistas que inclui nas suas fileiras nomes sonantes como a Wikipédia, o LiveJournal ou ainda o Worldpress, é expectável que este regresso na condição de liberdade condicional, não seja desperdiçado. Ao nível da blogosfera, a interdição do Blogspot é uma medida significativa, para se ter uma ideia, no meu caso, deixei de ter acesso a mais de 90% dos blogs que frequentava. Tenho que confessar que este voltar atrás desilude-me, dificulta imenso a elaboração do Index Blogueiro a que me tenho dedicado e que conto entregar às autoridades ainda no decorrer de 2007. Nessa lista, não constam os posts de André Azevedo Alves que, apesar da sua posição assumidamente anticomunista e de ser o mais forte candidato à vitória do Blogger de 2007 que mais fotografias de António Oliveira Salazar afixou, é visto por estas paragens como um comediante de grande valor, tendo a sua ausência na recente comitiva portuguesa sido apontada como o motivo pelo qual Hu Jintao não terá recebido José Sócrates. Resta-me endereçar os parabéns ao senhorio desta casa, o Sapo, que mais uma vez conseguiu manter a bandeira azul que é o selo de qualidade atribuído pela República Popular da China.


Adenda a 01/04/2007 (sempre sonhei fazer isto): afinal a liberdade condicional do Blogspot foi de curta duração.

Adenda a 03/04/2007 : Blogspot acciona uma forte cunha e está de volta.

Adenda a 07/04/2007 : Nova reviravolta e acabaram-se as adendas.

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publicado por Conde da Buraca às 16:37
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Quinta-feira, 8 de Março de 2007

Momento de Poesia e de Encher Chouriços

Bate leve, levemente

Como quem chama por mim

Será chuva, será gente?

Não, são os Hélderes.

 


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publicado por Conde da Buraca às 13:49
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Domingo, 18 de Fevereiro de 2007

O Referendo do Aborto - Uma Semana Depois

Uma semana depois, com os resultados já bem digeridos, está na hora de aqui continuar a nada dizer sobre o assunto.
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publicado por Conde da Buraca às 07:52
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Domingo, 11 de Fevereiro de 2007

China #3 – O Indicador Lionel

Um indicador de desenvolvimento da mesma importância do que, por exemplo, o PIB, a Taxa de Analfabetismo ou ainda a Taxa de Desemprego, mas que, incompreensivelmente, continua a ser ignorado pelos especialistas, é se esta coisa passa ou não nas rádios e bares do país objecto de estudo.
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publicado por Conde da Buraca às 16:43
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Domingo, 28 de Janeiro de 2007

Observação de Café #1 – O Jornal Desportivo

O fenómeno a que hoje nos queremos dedicar é de facto extraordinário, todo ele se desenvolve em redor de um pequeno objecto que há primeira vista não aparenta o mínimo valor mas que é de importância vital para o ser humano, não exageraria se afirmasse que o seu impacto é da mesma grandeza de outras grandes invenções/descobertas como o domínio do fogo, a roda ou ainda os jaquinzinhos com arroz de tomate. Falo-vos do diário desportivo, não dos seus fabulosos efeitos no intelecto humano, isso toda a gente sabe, seria o mesmo que vir aqui anunciar que sem oxigénio é impossível viver. O que se pretende aqui focar é um outro efeito que este tipo de jornal provoca no comportamento do homem e que, ao comum dos mortais, tem passado despercebido. Mas primeiro e para aguçar a curiosidade, queria explicar como tive conhecimento desse ainda não revelado efeito. Não há muitos anos, bebia eu uma cervejola numa tasca refundida, ali para os lados de Alfama, quando o gerente da superfície comercial, num inglês muito manhoso, me sai com esta “Jovem, nessa mesa onde estás sentado, passou horas e horas o Gandhi, aquele maluco lá da Índia”. Respondi-lhe que era escusado vir com essas tangas, apesar dos olhos azuis não sou camone. O homem insistiu e para o provar dá-me a ver uma velha fotografia onde de facto, naquela mesma mesa, estava sentado um jovem que aparentava ser de origem indiana ao lado de um outro senhor de farto bigode, “este é o meu avô, o fundador aqui do estabelecimento” diz com orgulho. E lá continuou, “Dizia o meu velho, Deus o tenha, que no primeiro dia que ele cá veio, ao fim de duas horas sentado nessa mesma cadeira, o homem como que possuído pelo diabo, partiu violentamente a sua garrafa de leite Ucal e com ela tentou agredir um cliente que lia “O Velocipedista”, o jornal desportivo da época. Sete, sete homens para dominar o bicho. Depois caiu em si, desfez-se em mil desculpas e levou os restantes dias que cá passou a pagar rodadas de ginginhas. Parece que até era um tipo porreiro, mas não dá para compreender aquele comportamento, ainda para mais sabendo no que ele depois se tornou”. Parvo com o que tinha acabado de escutar, disse “Ò chefe, devia ser outro, provavelmente os Ghandis são os Silvas lá do sítio”, mas ele não desistiu “É verdade o que lhe digo, o barco que o transportava de Calcutá para Londres foi forçado a atracar em Lisboa durante um mês para reparações dos danos provocados pelo mau tempo. Na altura, decorria o mundial de críquete, o tipo era grande aficionado e passava cá todos os dias para consultar os resultados no Velocipedista. Além disso, muitos anos mais tarde, quando já era uma celebridade, o meu avó reconheceu-o nas fotografias dos jornais”. Pondo em prática os ensinamentos da minha mãezinha em como se comportar com gente maluca, lá lhe disse que sim, paguei e pus-me a caminho. Nunca mais pensei naquele diálogo até que, recentemente, num canal da tv cabo, dou de caras com aquele rosto da fotografia, era um documentário biográfico de Gandhi. Sentia que estava perto de uma descoberta revolucionária, tinha que rapidamente avançar com as investigações. A escolha do local para aprofunda-las revelou-se fácil, diria mesmo que não podia ser outra, o café da esquina está para o ser humano como a savana está para os grandes felinos. É um habitat de condições árduas onde apenas os mais fortes sobrevivem. Para lá me dirigi, 12.00h, inicia-se o período de duas horas em que se atinge o pico da procura do jornal desportivo, na mesa do canto, o Sr. Machado já está na posse do objecto alvo de tanta cobiça. O Sr. Machado, reformado, dos seus oitentas é o que podemos chamar o topo da cadeia alimentar, o leão dominante, aquele à volta do qual, na hora da refeição, todos lançam olhares famintos, aguardando pelas sobras. Quando o relógio marca 12.15h, o Sr. Machado acaba de concluir a leitura da capa. Apesar do início algo lento consegue recuperar, uma hora depois, já se encontra na contracapa, hoje está acelerado, deve ter algum compromisso. Sente-se uma certa tensão no ar, o segundo decisivo aproxima-se e a mínima distracção poderá ser fatal, apenas se ouve a voz do José Rodrigues dos Santos, os músculos contraem-se e … falsa partida, o Sr. Machado recomeça a leitura mas agora no sentido inverso. É notório o desânimo nas mesas circundantes mas ninguém desiste. 13.30h, o Sr. Machado está de regresso à primeira página, sem pousar o jornal, tira os óculos do casaco e inicia a leitura daquela coluna cinzenta, aquela onde se informa o número de exemplares da edição, o nome do director, o nome do vice-director, o nome dos jornalistas, dos moços de recados, das empregadas de limpeza, do arrumador de carros na rua da redacção, do adjunto do arrumador de carros, etc. É nesse momento (falta meia hora para picar o boi) que se verificam as primeiras desistências mas a casa ainda continua composta, chego à conclusão que no bairro vivem muitos funcionários públicos. 13.50h, o Sr. Machado pousa o jornal, claramente um sinal para avançar, um rapaz que não conheço consegue antecipar-se aos seus adversários mas à pergunta “Desculpe, posso dar uma vista de olhos?” recebeu como reposta “Lamento, mas aqui o Ferraz já o tinha reservado”. O rapaz com um sorriso amarelo retirou-se enquanto o Sr. Machado comentava com o Sr. Ferraz que a Sr. Alexandra do jornal tinha sido substituída por uma nova empregada de limpeza. A observação estava concluída, com os dados recolhidos estava em condições de juntar as peças e formular com segurança as conclusões. Tudo agora faz sentido, esta “batalha” já secular que todos os dias se desenrola nos nossos cafés acabou por transformar o homem português num ser humano altamente pacífico. Pode parecer estranho mas  apenas o é porque quando se está inserido numa sociedade é mais difícil avaliá-la. O comportamento violento de Gandhi é a maior prova desta teoria, se o homem símbolo da paz e do diálogo não resistiu a esse duro teste, é porque o português possui realmente características especiais. Agora compreendo o porquê de nunca ter encontrado um café, um único que seja, com dois jornais desportivos, um para uso exclusivo dos clientes pensionistas e o outro para os restantes. Não encontrei porque não é permitido, o Estado há muito que tem conhecimento das propriedades relaxantes da combinação reformado/jornal desportivo. Com dois diários desportivos por café, inevitavelmente, a duração diária da prática deste exercício pacificador diminuiria drasticamente, o efeito seria precisamente o contrário, aos poucos os níveis de agressividade da população aumentariam e consequentemente Portugal transformar-se-ia num país difícil de controlar. Há dois momentos marcantes da História Portuguesa do século XX que sempre me intrigaram no modo como sucederam e que agora compreendo. O primeiro é a instauração da ditadura política, como terá sido possível tal acontecimento sem uma única bala disparada, uma manifestaçãozinha, nada, enquanto que na nossa vizinha Espanha só depois de uma duradoura e sangrenta guerra civil. O outro momento dá-se 50 anos depois com o fim dessa ditadura. É verdade que nesta ocasião dispararam-se algumas balas junto à sede da Pide mas como se explicam os cravos nas G3 (recordo que o LSD ainda não era muito popular em Portugal) e a ausência desses actos tão típicos nas revoluções que são os fuzilamentos e os enforcamentos.  
 
Nota: A ideia dos jaquinzinhos com arroz de tomate veio daqui. Olhe que não, Shô Doutor! Olhe que não, é de ler e chorar por mais.
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publicado por Conde da Buraca às 17:55
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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2007

Ensino Multilingue – Toda a Verdade

Um dia, os livros da História Universal vão referir-se a 04/01/2007 como a data em que Portugal desperdiçou a última oportunidade para voltar a integrar o pelotão das nações mais prósperas e desenvolvidas do planeta. Tenho que confessar que pertenço ao grupo daqueles que se congratulou com o chumbo do projecto-lei do ensino multilingue apresentado pelo Bloco de Esquerda no parlamento, não conseguia compreender o raciocínio das lides bloquistas. Hoje, tenho noção das graves consequências do referido chumbo. Mas é justo que se diga que a grande responsabilidade do resultado é do próprio Bloco de Esquerda que, ao não revelar os verdadeiros porquês da proposta, contribuiu para o conhecido triste fim. Segundo fonte interna do BE, a origem da proposta não terá partido do interior do partido mas sim de uma investigação de décadas elaborada pela conceituada astróloga Maya. Apresenta essa investigação como factos inquestionáveis a visita ao nosso planeta, já no próximo ano de 2020, das primeiras naves dos habitantes de uma galáxia longínqua anos luz mais desenvolvida, poderosa e populosa. Felizmente as intenções destes novos vizinhos serão pacifistas, pretendendo apenas alargar o espaço comercial à nossa galáxia. Em apenas três anos controlarão a economia mundial e tentem lá adivinhar quem serão os grandes beneficiados. Pois, segundo os cálculos astrológicos da Maya, a língua materna dos E.T.´s é uma das seguintes três: crioulo, ucraniano ou romeno (a dúvida deve-se a uma chuva de meteoritos não prevista). Percebe-se claramente a intenção do BE, dotar as nossas futuras gerações das melhores ferramentas para competir no futuro mercado inter-galático. Ousaria no entanto afirmar que o BE foi pouco audaz, apenas 30% de portugueses nas turmas multilingues, porque não o Crioulo como nova língua nacional e as restantes já no 2º. ciclo? A dúvida que subsiste é saber qual a razão que terá levado o BE a esconder, sob a capa da adaptação das minorias em Portugal, o verdadeiro motivo da proposta aos portugueses. Segundo uma fonte próxima da Maya, esta afirma sentir-se amordaçada como Galileu o foi pela Inquisição, sente-se traída com o comportamento do BE, pois terá revelado as suas descobertas, confiando que o partido que se orgulha da modernidade das suas ideias não teria complexos em assumir publicamente a crença nessa ciência exacta que é a astrologia. Correm rumores que a Maya equaciona a possibilidade de abandonar o país, tendo mesmo a Espanha já oferecido José Saramago e Olivença como moedas de troca. Esperemos que esse cenário horrendo não se concretize… Há quem opine que Louçã terá receado a aprovação por unanimidade da sua proposta e o peso da responsabilidade daí inerente, situação nunca antes vivida pelo partido. É também comentado que foi encontrada a seguinte inscrição nas instalações sanitárias do parlamento “a referência a Maya e às suas descobertas, seria o admitir de que o BE não tem ideias próprias”. A ser verdade esta última teoria, é incompreensível pois toda a gente sabe que não há um único partido com ideias próprias e que um bom político é aquele que sabe aproveitar as boas ideias dos outros. A realidade é que, independentemente dos motivos do BE, a oportunidade foi desperdiçada e Portugal, mais uma vez, ficou a perder.
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publicado por Conde da Buraca às 18:17
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Domingo, 31 de Dezembro de 2006

Explicação aos Utentes

Este blog apenas tem uma coluna de links e afins por uma razão muito simples, aqui não há descriminação para com quem não distingue a esquerda da direita. Tentem imaginar como estas pessoas se sentem quando a meio da leitura de um post, o autor as remete para uma das duas colunas.Pois, nunca tinham pensado nisso…
publicado por Conde da Buraca às 09:34
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Segunda-feira, 25 de Dezembro de 2006

Reflexões Teológicas - Maomé, o José Mourinho dos Céus

Já tinha conhecimento que, segundo o Corão, Cristo terá sido um dos profetas da palavra de Alá (uma espécie de presidente do Real Madrid, tantas são as estrelas que compõem o seu plantel). Parece que com o passar dos tempos, a depuração dos ensinamentos de J.C. obrigou a nova intervenção do Todo Poderoso (desta através do profeta Maomé) de forma a que nos fosse revelado mais uma vez o caminho da salvação. No ponto de vista aqui do ateu, a referida referência a Cristo no Corão é uma jogada estratégica de mestre. O que ganharia o Islão, desmarcando-se radicalmente do Cristianismo, religião com uma comunidade de fiéis numerosa e com séculos de antecipação. Nada, pelo contrário, apenas perderia. É muito diferente sermos confrontados com a inutilidade das nossas crenças do que com um upgrade. Depois um fruto proibido é sempre mais apetecível, para quê criar mais um, é mais inteligente dizer para se comer x porque é melhor do que y em vez de se proibir y. Já nutria uma certa admiração intelectual por Maomé, hoje mais o admiro pois desconhecia o que recentemente me chegou aos ouvidos. Parece que, também segundo o Corão, o dia do julgamento final, será aquele em que Cristo se anunciar novamente ao mundo, ao serviço de Alá e desempenhando as funções de juiz. Porquê este papel para Cristo? Aqui o ateu opina que Maomé, tendo consciência do poder da religião cristã, receava que algum tipo inteligente como ele se fizesse passar por Cristo e pusesse em causa todos os seus ensinamentos. Assim de forma a garantir que tal não acontecesse, nada melhor que reservar um papel para o seu rival lá para o final dos tempos. Como o fim do mundo motivado por decisões divinais nunca se sucederá (eu sei porque Deus mo disse e que também o havia dito a Maomé), qualquer nova aparição de Cristo que não acompanhada pelo juízo final (todas) seria encarada como trapaceira. Concluindo, um homem brilhante.
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Domingo, 24 de Dezembro de 2006

Conto de Natal


A mãe que atormentada por um forte e agoniante pressentimento convence o seu filho anão a desistir de acompanhar o Pai Natal na viagem de trenó prevista para a noite desse mesmo dia. Umas horas depois, ao ligar a televisão, não quer acreditar, o dito trenó despenhara-se, levando consigo a vida de todos os ocupantes. Invadida por um sentimento misto de horror e de felicidade corre na direcção do quarto do descendente, onde sobre a cama, se depara com o seu cadáver.
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publicado por Conde da Buraca às 02:45
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Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006

E por falar em Serial Killers

Já tem algum calendário para 2007?

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publicado por Conde da Buraca às 17:45
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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

O Autor Confessa-se

Uma pequena revelação, não sou um programa informático.
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Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006

Oferta de Emprego-Empresário e Consultor de Imagem - Enviar Currículo para o Gab.Rec.Hum. do Paraíso

É verdade, a carreira de Deus já viveu melhores dias, a continuar assim, corre o risco de se transformar numa espécie de banda do tipo os ABBA que ano sim, ano sim, lá pelo Natal, relembram-nos da sua existência, lançando um Best Off com uma nova sequência das mesmas músicas de sempre. Não obstante ser de louvar o esforço descomunal que a referida banda desenvolve para que, ano após ano, as posições dos hits não se repitam (aproveito para informar que a última música da Colectânea de 91 é a primeira da de 92, o que é chato para quem ouve os dois álbuns de seguida, um pormenor a melhorar), uma audição mais experiente acabará por detectar com algum custo, é verdade, que não há nada de novo (lamentámos decepciona-lo). Serve a analogia para registar que Deus, talvez pelo estatuto de estrela que adquiriu ao longo dos séculos, já não sente necessidade de aparições públicas ou de compor novos milagres. Os clássicos continuam a ser grandes Obras, especialmente Fátima, aí transcendeu-se, fazer com que o movimento do Sol apenas fosse observado na Cova da Iria e não provocasse a desintegração do sistema solar, não é para qualquer um, genial, estiveste bem pá. Pena é que só se dê importância à aparição da Virgem, nada que não surpreenda neste mundo que não sabe quem foi o primeiro Prémio Nobel da Física mas não esquece o primeiro anúncio televisivo da Maxman (já agora, se alguém tiver o vídeo, o e-mail está ali na coluna do lado). Pois… Deixemo-nos de desabafos e vamos ao que nos trouxe por cá, o problema é que foi precisamente no século de todas as mudanças que Deus decidiu recolher-se nos seus aposentos celestiais. Problema, porque relatos de milagres com pastorinhos e ovelhas já não cativam as crianças, há que renovar o stock com personagens e objectos do nosso tempo. Talvez uma criança que se delicia com a morte do seu centésimo tamagochi por maus tratos e, de repente, do nada, surge uma luz ofuscante que a cega temporariamente e a repreende de tal forma que, quando desaparece, o menino decide tornar-se num missionário e, de casa em casa dos seus colegas de escola, alimentar os tamagochis oprimidos. Depois esse estilo discreto pode ter funcionado no passado, quando não havia televisão, Internet, o pessoal deitava-se ao pôr do sol, acordava com o cantar do galo e o único livro em casa era a Bíblia, mas no século XXI é suicídio (pecado). As famílias são constantemente bombardeadas com informação de todo o tipo que as levam a descurar, duvidar ou mesmo a ignorar os ensinamentos religiosos, são teorias evolucionistas, são os Códigos Davinci´s, os Hélderes que não largam a porta de casa, a provocante vizinha do lado (as vestes mudaram muito, melhor, diminuíram muito), o papa que não dá uma para a caixa e sei lá que mais. Quem tem fé deve resistir às tentações, tudo bem, mas uma aparição de vez em quando ajudava. E o que dizer das cada vez mais crianças que crescem sem os ensinamento das palavras santas dos evangelhos, também serão elas pecadoras? Não, claro que não. A mudança não pode ser mais adiada, o contacto com os humanos tem que ser mais directo, mais agressivo. Porque não se aproveita as novas tecnologias? Talvez um website onde Deus respoderia online às dúvidas dos crentes, onde se poderia downloadar os melhores milagres de sempre, com jogos religiosos para crianças, concursos que premiassem prémios aliciantes do tipo canetas e aventais com a inscrição “Jesus is Sexy”. E porque não, um God´s World Tour, ahh? Grandes palcos, onde ao vivo, Deus, him self, curava em simultâneo um paralítico e um cego para delírio da multidão, para o encore, se a actuação fosse na Etiópia ou na Somália, reservava-se o milagre da multiplicação do pão e do peixe. Enfim, uma imensidão de possibilidades que não são aproveitadas pelo nosso criador. Uma, apenas uma explicação é aceitável para tal displicência, Deus está mal acompanhado, está rodeado por conselheiros que de nada o informam, incompetentes que se agarraram às mordomias adquiridas, só pode ser isso, Deus não nos abandonaria…
publicado por Conde da Buraca às 14:24
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