Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Uma aventura no jornal Avante

A propósito do último post, ocorreu-me visitar o site do Jornal Avante que encontra sempre formas muito peculiares de se pronunciar em relação a estas datas tabu da história do comunismo. Quando me preparava para desistir eis que, perdida no meio de um longo protesto de Vasco Cardoso (datado de 04/06/2009) contra a forma como a comunicação social acompanhou a campanha da CDU para as europeias, surge o que procurava. Atentemos então:
 
“Entre outras situações, foi particularmente evidente e escandaloso o papel a que se prestou a RTP na operação montada pelo PS a partir dos incidentes nas comemorações do 1º de Maio em Lisboa, ou a recuperação de acontecimentos com 20 anos, nas vésperas das eleições, como os ocorridos em 1989 na República Popular da China.”
 
Concentremo-nos na segunda parte da frase e tentemos compreender a linha de pensamento do seu autor. Apesar da timidez com que se refere ao tema penso que não há dúvidas de que se trata da barbárie cometida pelo exército de libertação da República Popular da China contra os jovens estudantes na praça de Tiananmen. Será que Vasco Cardoso não considera esse acontecimento relevante o suficiente para merecer destaque televisivo (mesmo tendo em consideração que 20 anos é uma data redondinha e como tal propícia para evocações)? Ou acha que sim mas não na data em que realmente se cometeu a cobarde matança? Talvez uma semaninha depois, numa pequena referência de meio minuto no segundo canal, na hora de fecho. Por outro lado fica a dúvida se o problema de Vasco Cardoso é a idade do acontecimento. Depreende-se que acontecimentos com o mínimo de 20 anos de idade deverão ser votados ao esquecimento, especialmente se coincidirem com as épocas eleitorais. Nesse caso pergunto se o 25 de Abril que o PCP tanto tem como seu ou ainda a data do assassinato de Catarina nas mãos da PIDE, dois acontecimentos com mais de vinte anos, ocorrerem nas vésperas de eleições, qual deverá ser o papel da comunicação social face a este infortúnio de coincidências.  É neste partido que reduz a tragédia de Tiananmen a um acontecimento de 20 anos e como tal já fora da validade para ser recordado que mais de 10% dos portugueses confiou o seu voto nas eleições de Domingo. O PCP é muito provavelmente o único partido comunista da Europa Ocidental que subsiste e que tem vindo a reforçar a sua posição. Este facto é por si só demonstrativo do estado do País e da incompetência dos políticos que nos têm governado. Em tempos idos votei PCP, um pecado de juventude, participei mesmo numa lista candidata à freguesia da vila onde cresci a convite de um amigo que muito prezo e que não é da mesma estirpe da do camarada Vasco. Hoje teria que recusar, amadureci o suficiente para perceber que o comunismo, em nome do colectivo, oprime a individualidade e que nos países onde governou especializou-se na produção industrial de miséria humana e da opressão.
publicado por Conde da Buraca às 22:24
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Tiananmen - 20 Anos

Fez no passado dia quatro de Junho, 20 anos que o exército de libertação da República Popular da China esmagou a pró-democrática concentração de estudantes na praça de Tiananmen. Maria João Belchior, jornalista portuguesa freelancer a residir em Pequim, que tive o prazer de conhecer, assinala o acontecimento com uma grande reportagem, entrevistando uma das mães de Tianamen, testemunhas e activistas dos direitos do homem que convivem diariamente com a vigilância e controlo policial. A não perder a audição, aqui, na TSF.
publicado por Conde da Buraca às 12:07
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Sábado, 30 de Agosto de 2008

Até onde irá esta China? - #02

 

Numa perspectiva mais optimista pode-se também opinar que o contínuo crescimento económico chinês e as consequentes melhorias das condições de vida culminarão, passo a passo, na Democracia. Não partilho desse optimismo pois considero que, num cenário de crescimento económico, uma mudança política dessa dimensão com a provável perda de poder do lobby dominante é algo contranatura. As revoluções falhadas e as sucedidas surgem da insatisfação e no caso da China, com excepção de zonas como o Tibete e Xinjiang, até o mais miserável é um ser satisfeito. Há 20 anos uma família de Pequim tinha direito a 6 Kg de peixe por ano, hoje, o mais miserável tem trabalho suficiente para comer e beber. Outros há que já compram um leitor MP3, um telemóvel, enquanto que a classe média anda nas nuvens com a primeira casa, o primeiro carro ou com o futuro brilhante dos seus filhos. É difícil mobilizar quem quer que seja para uma revolução nestas condições.
 
(continua em futuras postas)

 

publicado por Conde da Buraca às 02:01
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Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Até onde irá esta China? - #01

 

Fim dos Jogos, mais um passo dado pela China rumo à sua afirmação como potência mundial e um bom momento para se fazer balanços. Até onde irá esta China? Nos últimos anos têm sido frequentes as previsões que a apontam, num futuro não muito longínquo, como o novo líder económico mundial. A concretizar-se esse cenário e mantendo-se a actual estrutura política seria a primeira vez na era moderna que uma Nação com um sistema monopartidário tomaria as rédeas do planeta.  Se a China dos nossos dias já é influente ao ponto de sustentar ditaduras políticas como são as do Sudão e da Birmânia, indiferente aos crimes em grande escala que aí se cometem contra os direitos humanos, é de supor que a sua indiferença com esse tipo de “assuntos internos” se fortificará e que até apoiará mudanças políticas noutros Países que se aproximem do seu sistema. Penso que não cometo nenhum erro grosseiro se afirmar que, ao longo da história, as potências económicas mundiais sempre influíram os seus vizinhos nesse sentido. Na era global que vivemos todos somos vizinhos.

 

(Continua em futuras postas)

 

publicado por Conde da Buraca às 02:32
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Debates Olímpicos

 

Os Jogos têm motivado umas postas muito interessantes por parte da comunidade blogueira oriental. Destaca-se o debate ente o Nuno Lima Bastos  do “O Protesto” e o Leocardo do “Bairro do Oriente” em torno da atribuição dos Jogos vs Direitos Humanos. A ler também o balanço final de Miguel Castelo Branco, bem como o relato da Vera Penêda a respeito do isco utilizado pelo governo chinês para impedir qualquer tipo de manifestação e, nalguns casos, deter os seus organizadores.
 
Adenda a 30/08/2008: Ainda sobre a temática Jogos vs Direitos Humanos, imperdível a leitura de "A fechar a Olimpíada" (muito bom) de Nuno Lima Bastos. 
publicado por Conde da Buraca às 02:11
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

A resposta que o mundo esperava

Tudo fora programado para que durante os dezasseis dias dos Jogos Olímpicos o céu de Pequim se vestisse de azul mas, contra todas as expectativas, na manhã seguinte à noite da cerimónia de abertura, o cinzento continuava a ser a cor dominante. O que teria falhado? Para que serviram os milhões e milhões de dólares investidos em programas ambientais? O inquérito impunha-se e após quatro dias de intensas investigações, eis que, no local mais insuspeito, foi finalmente encontrada a fonte da poluição. Meus amigos vejam isto.

 

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publicado por Conde da Buraca às 01:48
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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Juntos em 2008, Nada é Impossível

 

É a frase que a adidas, como patrocinador oficial dos Jogos, escolheu para a sua campanha na China. Na minha opinião, os mega posters espalhados um pouco por toda a Pequim e, suponho eu, por todo o País, são simplesmente geniais. Retratam brilhantemente a forma entusíástica como toda a Nação apoia e vive este momento.
 
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publicado por Conde da Buraca às 18:14
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A poucas horas do momento tão desejado

Às 08.00 h da noite, do dia oito, do oitavo mês do ano de dois mil e oito, arrancarão os Jogos Olímpicos de Pequim. Quem for minimamente conhecedor das superstições chinesas sabe que a presença repetitiva do número oito não é uma mera coincidência. Será uma prova de fogo à reputação do número da fortuna que tem vivido um ano difícil com os nevões, os tremores de terra, as cheias e as questões do Tibete e de Xinjiang. A escolha representa a importância que toda a Nação deposita no maior acontecimento desportivo do planeta. Para os nossos olhos ocidentais talvez faça um pouco de confusão a dimensão do orgulho do povo chinês em torno dos Jogos. Desde os mais miseráveis até os intelectuais que não estão satisfeitos com o actual regime político e que anseiam por mudanças, todos reagem mal a qualquer interferência exterior para com o desenrolar normal da competição. Independentemente de se gostar ou não das políticas do governo, os holofotes do mundo estão apontados para a China e não é hora para a deixar ficar mal. É o nome da Pátria que está em jogo, um gigante com uma história fabulosa que nos últimos dois séculos sofreu humilhações difíceis de digerir e que recentemente se tem reerguido ao ponto de ter capacidade para organizar pela primeira vez uns Jogos Olímpicos. Tenho esperanças de que um dia a China venha a dar muito mais pela liberdade e pela paz mundial, por agora espero apenas que tudo corra pelo melhor, o povo chinês merece-o.
 
A propósito do arranque dos Jogos aconselha-se a leitura deste balanço de partida do Arnaldo Gonçalves no seu Exílio Andarilho, bem como a visita regular do China em Reportagem da Maria João e do De Olho no Dragão da Vera Penêda.
publicado por Conde da Buraca às 02:43
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Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

Sintomas Pós-Poluição

Rezava hoje um dos telejornais da noite que viver na Pequim poluída dos nossos dias corresponde a fumar uma média diária de aproximadamente 70 cigarros. A ser verdade, isto quer dizer que quando deixei de comprar o maço do dia apenas reduzi ligeiramente o consumo e explica o porquê de não ter sentido melhorias físicas significativas. Concluo também que afinal apenas deixei o vício à coisa de três meses e que essa é a razão dos quase incontroláveis impulsos que ultimamente tenho sentido perante a visão do belo do cigarrito. Talvez a solução passe por instalar em casa uma máquina de fazer fumo.

 

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publicado por Conde da Buraca às 01:41
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Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Portugal na China

Talvez a China seja um dos mais suspeitos barómetros da visão estratégica de Portugal  enquanto Nação que supostamente se quer cada vez mais forte neste competitivo mercado global mas, a meu ver, é um local priviligiado para se aferir tal medição. O método não consiste na contagem dos produtos portugueses que se pode encontrar neste mercado composto por um quinto da população mundial, tal tarefa revelar-se-ia excessivamente morosa e o resultado aquele que se sabe, miserável. Além disso, as conclusões que se poderiam extrair desse conhecido resultado, no máximo, dir-nos-iam que no passado Portugal andou a dormir e nada sobre a actual estratégia cujos frutos ainda poderão estar por colher. O método então utilizado é muito mais simples e consiste na comparação do esforço que tem sido desenvolvido pelos dois países ibéricos no sentido da divulgação e promoção das suas línguas e culturas por estas paragens. Portugal continua a olhar para a China como esta fosse Macau, em vez de aproveitar essa porta como plataforma para os grandes centros de decisão onde o futuro acontece (Pequim e Xangai) continua agarrado às velhas glórias do passado. A promoção da nossa língua fora de Macau é um deserto. Segundo a webpage do Instituto Camões, este contribui com uma rede de docência de seis professores distribuídas por outras tantas universidades chinesas. O número parece simpático mas na minha opinião, além de ser muito pouco, os frutos que Portugal retira desse esforço em termos de incremento das relações económicas entre os dois países é nulo. Baseio esta conclusão nas conversas que já tive com alunos de português de duas universidades de Pequim. Ao que parece os licenciados em português não têm qualquer problema em encontrar um emprego bem remunerado, são na sua maioria rapidamente absorvidos pelas grandes companhias chinesas que operam em Angola e no Brasil. O Centro Cultural do Instituto Camões em Pequim que deveria ter um papel importante na oferta de cursos da língua portuguesa que não licenciaturas, cursos com horários pós–laborais em que os empresários chineses interessados nos produtos portugueses poderiam investir na formação dos seus funcionários, vive confinado a um espaço cedido pela Embaixada de Portugal de reduzidas dimensões que limita a organização de algo mais do que umas esporádicas exposições de uma dúzia de quadros na mesma única sala onde é possível leccionar português. Tendo em consideração as dimensões dessa sala “multiusos” poderá estimar-se com uma dose generosa de optimismo que, no máximo, 30 alunos frequentam todas as semanas os cursos de português proporcionados pelo Centro Cultural do Instituto Camões de Pequim. O plano de actividades disponível na internet é por si só demonstrativo do desinteresse de Portugal, reporta-se ao ano de 2006 e metade delas continuam com data por definir. Já os nuestros hermanos não andam a dormir. Para além de o espanhol ser uma língua com presença em diversas universidades e em diversas escolas privadas, o Instituto Cervantes também está presente com instalações próprias. Trata-se de um novo edifício (ver aqui fotografia da fachada) dotado de inúmeras salas de aula, de uma biblioteca com já alguns milhares de exemplares,  salas de exposições e auditório. Proporciona uma variada gama de cursos com diferentes níveis, para crianças e cursos especialmente vocacionados para a área dos negócios (acho que este pormenor diz tudo). Dispõe de uma página na internet muito bem estruturada que pode ser também consultada na língua chinesa (outro pormenor revelador). Depois há  todo um vasto programa cultural, 2007 foi o ano de Espanha na China (ver página criada para o efeito), centenas de actividades culturais foram realizadas nas mais importantes cidades chinesas, despertando um interesse cada vez mais crescente pelos nossos vizinhos. Já é possível assistir nos canais de televisão a touradas de uma praça madrilena !!! O abismo entre o programa de actividades das duas Instituições é de tal forma profundo que o argumento da actual discrepância económica entre Portugal e Espanha soará a ridículo. O nosso problema não é a falta de recursos naturais, o nosso problema são os portugueses.
 
publicado por Conde da Buraca às 20:01
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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007

O que está por detrás de um caracter chinês # 03

 

Os porquês do caracter de hoje são de uma simplicidade que um completo desconhecedor desta linguagem ficará com a ilusão de que o mandarim afinal não é assim tão dificil. Infelizmente, para mal das células cinzentas de mais que um bilião de pessoas, a regra é bem mais complicada. O caracter a que me refiro é (nán) que tem como significado homem. Nos cartoons de cima são apresentadas separadamente as duas partes que o compõem, (tián) cujo formato representa as linhas parcelares de um arrozal e (lì), uma poderosa impressão gráfica de um braço como símbolo da força física.  A explicação para a junção destes dois num só é obvia e retrata a época de então composta essencialmente por uma população agrícola. O próximo cartoon mostra-nos o retrato de uma típica família desses tempos onde o homem () se encontra a excercer a sua força no campo agrícola enquanto que a  mulher () faz o mesmo no seu território de eleição e a criança () dá o seu melhor na única arte que ainda domina.
Nota: todos os cartoons foram retirados do livro “What´s in a Chinese Character”
publicado por Conde da Buraca às 15:55
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007

À Atenção das Produções Fictícias

 

Apesar de aqui já ter manifestado o meu repúdio para com a censura estalinista do ruinix  também reconheço que sou confesso admirador da sua apetência para as artes. Destaco esta pérola pois nela a comédia é dominada como só os predestinados o conseguem fazer (não perder os comentários, também eles muito bons). Um verdadeiro talento. Mais uma vez obrigado.
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publicado por Conde da Buraca às 03:39
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Domingo, 9 de Dezembro de 2007

O que está por detrás de um caracter chinês # 02

 

Relendo o primeiro post desta série fiquei com a sensação de que a imagem do homem chinês junto do público feminino poderá ter ficado um pouco abalada. Nada seria mais injusto pelo que sinto-me na obrigação de já neste segundo número apresentar um caracter cujas origens não deixam dúvidas quanto à elevada estima que o homem chinês sempre sentiu pela sua companheira. Trata-se de (hao) que, por ser utilizado no mais comum dos olás chineses, “你好 !!!” (Ni hao), aprende-se a pronunciar logo no dia de chegada a este país. É um adjectivo que tem como significado bom, certo ou excelente. A sua composição é constituída pela mulher, (nu), e pelo caracter apresentado no cartoon de cima, (zi), que tem como significado criança ou filho. Concluindo, a causa mais provável para que o homem ancestral reunisse a mulher e a criança no caracter do bem e da excelência é a de que para ele a suprema felicidade seria constituir uma familia. Alguns dirão que a causa não será tão poética e  que o homem apenas não queria estar a incomodar-se com os trabalhos que uma criança exige pelo que considerava muito bom ser a mulher a encarregar-se dessas tarefas. Espero que as leitoras do Peneirar não se deixem influenciar por essas más línguas...
Nota: todos os cartoons foram retirados do livro “What´s in a Chinese Character”
publicado por Conde da Buraca às 07:56
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Sábado, 1 de Dezembro de 2007

Bairro do Oriente

Foi para que se mudou o Leocardo, um dos mais consistentes e dedicados bloggers a residir nestas paragens orientais.
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publicado por Conde da Buraca às 17:21
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Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

O que está por detrás de um caracter chinês # 01

Conforme prometido, inicio com este texto um conjunto de posts dedicado às origens e histórias que se escondem por detrás dos caracteres chineses. O cartoon que encabeça o post ilustra a evolução do caracter que representa esse enigmático ser que desde os tempos da criação nos leva a cometer os actos mais irracionais (se não fosse por ela, hoje continuaríamos a viver despreocupadamente no Paraíso sem precisar de trabalhar). É um dos 254 radicais que permitem classificar os caracteres num dicionário e como tal repete-se inúmeras vezes na composição destes. Situação dos dois que escolhi para hoje apresentar, cujos porquês da sua construção revestem-se de especial interesse pelo facto de se constatar que o modo como a mulher(nu) de então era vista não está assim tão distante da forma como o é nos nossos dias.
O primeiro é (an) que tem como significado a paz. Desenganem-se aqueles que já imaginam a mulher como fonte inspiradora de tranquilidade, pelo contrário a sua presença debaixo de um tecto indica-nos a quantidade ideal desta espécime em cada lar de forma a que a paz seja a atmosfera reinante. O cartoon que se segue é suficientemente esclarecedor quanto a isso. Descubram as diferenças entre o primeiro exemplo com apenas uma mulher e o segundo com duas.
O segundo é (qi) que tem como significado esposa. Neste caso a presença da mulher é óbvia, sendo a parte superior do caracter, sem uma ajuda suplementar, completamente indecifrável. A lógica obriga-nos a deduzir de que se trata de algo que simboliza o novo estatuto da mulher pós-casamento. De facto assim é, esse conjunto de traços representa uma mão a segurar um objecto que desde sempre é reconhecido como muito próximo da mulher (especialmente da casada) e quase do seu exclusivo uso. O próximo cartoon apresenta-nos o comovente momento em que o marido oferece esse simbólico objecto.

Nota: todos os cartoons foram retirados do livro “What´s in a Chinese Character”
publicado por Conde da Buraca às 13:47
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Domingo, 18 de Novembro de 2007

O óleo mata

 

Via Leocardo tive conhecimento de uma triste história por si só demonstrativa do fiasco que é o sistema político deste país. Meio milhão de pessoas concentrou-se às portas de um Carrefour numa das zonas mais prósperas da China, aguardando a abertura das portas para poderem comprar 5 litros de óleo alimentar em promoção nesse dia, aproximadamente 1 Euro mais barato. Resultado, 3 mortos e dezenas de feridos. Isto no ano do envio do primeiro satélite e a outro de distância do arranque dos jogos olimpicos. Nem Dali nos seus tempos de maior inspiração atingiu tal patamar.
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publicado por Conde da Buraca às 08:15
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Domingo, 11 de Novembro de 2007

80 Sintomas de que está na hora de abalar da China

Preciosidade descoberta no Deserto de Gobi, eu cá já sofro de alguns:


1. You’re at an expensive western restaurant and don’t even notice the guy at the next table yelling into his cell phone

2. You enjoy karaoke

3. You walk backwards in the park listening to a transistor radio

4. The China Daily is your source for hard hitting, fast breaking, investigative journalism

5. You smoke in crowded elevators.

6. All white people look the same to you

7. You like the smell of the bus.

8. You find state-employed retail staff helpful, knowledgeable and friendly

9. You no longer need tissues to blow your nose

10. You find western toilets uncomfortable

11. You throw your used toilet paper in the basket (as a courtesy to the next person)

12. You think that the heavy air actually contains valuable nutrients that you need to stay healthy

13. You think a 30 year old woman who carries a Hello Kitty lunch box is cute

14. A sexual pervert is a man who prefers women to money.

15. It’s OK to throw rubbish, including old fridges, from your 18th-floor window

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publicado por Conde da Buraca às 04:20
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Quinta-feira, 8 de Novembro de 2007

Mandarim

 

Já faz mais de um ano que assentei arraial por estas paragens com o propósito de dominar o melhor possível a principal língua materna do mundo. Não passa de uma opinião pessoal e, como tal, muito duvidosa mas estou cada vez mais convencido de que uma língua com a complexidade estrutural do Mandarim, apesar das reformas que sofreu ao longo dos séculos no sentido da simplificação, é um entrave ao desenvolvimento do País. Pode-se sempre rebater esta teoria com o exemplo do Japão mas também se poderia contrarebater afirmando que o extraordinário espírito trabalhador do povo japonês obteria ainda melhores resultados com uma escrita muito mais simples. O Mandarim escrito é composto por milhares de caracteres, uma monstruosidade que poucos ou ninguém domina na totalidade e que, com prejuízo no aprofundamento de outras matérias, obriga a um dispêndio de tempo suplementar na sua aprendizagem e a um consequente sub-aproveitamento do capital humano (o que, na verdade, é coisa que abunda por cá). Não obstante a imensidão há pequenos truques que facilitam a memorização de uma boa parte dos caracteres e que nos dão a conhecer um  pouco da  história, modo de pensar e  sentido de humor do povo chinês. Queria com este texto inaugurar uma nova tag exclusivamente dedicada ao Mandarim, não com qualquer pretensão didáctica mas apenas de compartilhar em futuros posts algumas das interessantes histórias que se escondem  por detrás dos caracteres, fazendo com que os nossos olhos ocidentais os encarem como algo mais do que um amontoado de rabiscos. What´s in a Chinese Character é o nome do livro  de onde, pelo menos nos primeiros posts, sugarei a informação, bem como os cartoons que ilustram a  evolução dos caracteres ao longo dos anos. Para abrir o apetite, fica-se já a saber que o primeiro, como não poderia deixar de ser, será dedicado à mulher. Espero que gostem.

publicado por Conde da Buraca às 14:11
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Cassete Nix

Caro Ruinix ,

 

Recentemente tive a oportunidade de constatar in loco que mantém activada no seu blog a opção de  aprovação prévia dos comentários. Apesar de não utiliza-la neste espaço sou da opinião que é uma ferramenta útil quando, por exemplo, os textos são alvo de comentários insultuosos. Dedico-lhe este post não com o propósito de divagar sobre as vantagens ou desvantagens dessa opção mas para registar neste pequeno canto da web o modo reprovável como a utiliza. Isto vem a propósito do facto de ter censurado duas tentativas de comentar a seguinte passagem de um dos seus posts :

 

“Antes da entrada da China para a Organização Mundial do Comércio os poderes sombrios, da mentira, do terrorismo de estado passavam o tempo a denegrir a imagem da China, com as mais idiotas mentiras que se mantiveram até hoje, com o mais absurdo estupefaciente a que chamam noticias dos meios de referência, que obrigam o espectador a querer sempre mais.”

 

Pedi-lhe nas duas ocasiões se poderia descrever um pouco mais as tais idiotas mentiras que se mantiveram até hoje, tendo até referido que também me encontro a viver na China e como tal teria especial interesse nessa matéria. Os dias passaram, comentários posteriores de outros leitores foram merecendo a aprovação da administração enquanto que os meus, até hoje, continuam sob profunda avaliação. O pedido que lhe coloquei era simples e não continha qualquer tipo de insulto  pelo que sou levado a concluir que o critério de avaliação na sua caixa de comentários consiste na reprovação de todos que se afastam do género “Grande artigo, ...... :D”, ou ainda “Uma análise mto interessante. Concordo plenamente com oo k escreveste. grande texto”. Estou consciente que está no seu direito  gerir o blog da forma que melhor entende mas, usufruindo também desse mesmo direito, não posso  deixar de aqui referir que a já de si muito fraca argumentação dos seus posts políticos perde qualquer credibilidade com comportamentos desse tipo. Relativamente ao post que se seguiu com o título incrível de “Para ser mais rigoroso”, em que se agarra aos tradicionais estandartes  do comunismo como a educação, cultura e justiça social, lamento decepciona-lo mas não é na China que o Comunismo os consegue erguer, tente na Coreia do Norte. Quanto à justiça social, dê um saltinho a este link e poderá consultar um relatório do Banco de Desenvolvimento Asiático de 2004 (será que o ruinix considera esta fonte fidedigna?) cujas resultados apontam que na China, apesar do rápido crescimento económico, o fosso entre ricos e pobres é cada vez maior, sendo na data do estudo apenas superado pelo Brasil e pelo Nepal. Mais refere o Relatório que mantendo-se a tendência de então é muito provável que actualmente o nível de desigualdade seja equiparável ao do Brasil, a isto chama-se justiça social. Não lhe vou dizer o que alguns colegas chineses, ao fim de um ano de lenta construção de amizade, me relataram sobre o actual sistema de educação ou de saúde, provavelmente o ruinix não acreditaria. Mas fica o convite para quando tiver oportunidade de visitar a cidade que não tem olhado a custos na preparação dos próximos Jogos Olímpicos, terei todo o prazer em levá-lo a conhecer o que é perceptível com os próprios olhos. Como por exemplo, as condições degradantes dos hospitais públicos ou ainda as residências universitárias (mesmo em algumas das Universidades mais conceituadas) sem casas de banho dotadas de chuveiros (os alunos tem que atravessar a rua para ir tomar banho a uma espécie de balneário público) e cujos  quartos com capacidade máxima para dois alunos  albergam oito.  Para terminar gostaria só de lhe perguntar em que escolas de Portugal fez a sua formação,  queria reduzir ao máximo as probabilidades de um dia os meus filhos virem a pensar e a comportarem-se como o senhor. Obrigado.

 

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publicado por Conde da Buraca às 18:36
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Domingo, 23 de Setembro de 2007

Fez-se luz

Cansado de dar com as portas dos blogs blogspot encerradas, lá me resolvi a pesquisar no Google ferramentas que permitam aceder a websites censurados. A tarefa, tendo em conta que se trata do Grande Firewall Chinês, revelou-se surpreendentemente fácil, lamentando apenas só agora o ter feito. A internet, por mais que milhares de sabujos a farejem, é um monstro de dimensões impossíveis de controlar.  Mais eficaz do que qualquer tipo de censura tem sido outro muro, a discrepância entre o Mandarim e a maioria das restantes linguagens mundiais, esse sim é o maior obstáculo ao acesso à informação.  Deixo aqui duas diferentes opções que possibilitam surfar pela net sem deixar rastos (ainda ninguém me bateu à porta) e aceder a qualquer website censurado. A primeira, de seu nome Anonymouse é a mais simples das duas, basta, no respectivo website, introduzir o link que deseja consultar. A segunda, XeroBank Browser,  é notável pois trata-se de um novo browser que é activado apenas quando o desejar. Neste caso, por exemplo, através dele pode aceder ao google e, como o faz todos os dias, chegar a qualquer website, simples. Agora, se me dão licença, vou tirar a barriga de misérias.

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publicado por Conde da Buraca às 09:30
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