Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Uma Questão de Democracia

 

 

O içar da bandeira monárquica nos paços do concelho lisboeta protagonizado no dia de ontem por elementos do 31 da Armada é o tema central de hoje na blogosfera. As reacções têm sido díspares, desde os sonhadores que já imaginam como próxima a restauração da monarquia como também daqueles que comparam o episódio com o incomparável. A iniciativa do 31 da Armada tem o mérito de, nas vésperas das comemorações do centenário da implantação da República, lançar o debate sobre o quão surreal é a nossa constituição ao não permitir a restauração da Monarquia constitucional mas ao mesmo tempo nada referir quanto à proibição de regimes autoritários de esquerda. A monarquia constitucional praticada em alguns dos países mais desenvolvidos da Europa ocidental não se encaixa no perfil dos regimes totalitários de direita e de esquerda pelo que não se compreende que uma nação democrática não ofereça aos seus cidadãos a possibilidade de se optar por essa variante democrática, reservando-se sempre à maioria a possibilidade de também decidir no sentido inverso.
publicado por Conde da Buraca às 15:37
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Sábado, 30 de Agosto de 2008

Até onde irá esta China? - #02

 

Numa perspectiva mais optimista pode-se também opinar que o contínuo crescimento económico chinês e as consequentes melhorias das condições de vida culminarão, passo a passo, na Democracia. Não partilho desse optimismo pois considero que, num cenário de crescimento económico, uma mudança política dessa dimensão com a provável perda de poder do lobby dominante é algo contranatura. As revoluções falhadas e as sucedidas surgem da insatisfação e no caso da China, com excepção de zonas como o Tibete e Xinjiang, até o mais miserável é um ser satisfeito. Há 20 anos uma família de Pequim tinha direito a 6 Kg de peixe por ano, hoje, o mais miserável tem trabalho suficiente para comer e beber. Outros há que já compram um leitor MP3, um telemóvel, enquanto que a classe média anda nas nuvens com a primeira casa, o primeiro carro ou com o futuro brilhante dos seus filhos. É difícil mobilizar quem quer que seja para uma revolução nestas condições.
 
(continua em futuras postas)

 

publicado por Conde da Buraca às 02:01
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Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Até onde irá esta China? - #01

 

Fim dos Jogos, mais um passo dado pela China rumo à sua afirmação como potência mundial e um bom momento para se fazer balanços. Até onde irá esta China? Nos últimos anos têm sido frequentes as previsões que a apontam, num futuro não muito longínquo, como o novo líder económico mundial. A concretizar-se esse cenário e mantendo-se a actual estrutura política seria a primeira vez na era moderna que uma Nação com um sistema monopartidário tomaria as rédeas do planeta.  Se a China dos nossos dias já é influente ao ponto de sustentar ditaduras políticas como são as do Sudão e da Birmânia, indiferente aos crimes em grande escala que aí se cometem contra os direitos humanos, é de supor que a sua indiferença com esse tipo de “assuntos internos” se fortificará e que até apoiará mudanças políticas noutros Países que se aproximem do seu sistema. Penso que não cometo nenhum erro grosseiro se afirmar que, ao longo da história, as potências económicas mundiais sempre influíram os seus vizinhos nesse sentido. Na era global que vivemos todos somos vizinhos.

 

(Continua em futuras postas)

 

publicado por Conde da Buraca às 02:32
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Debates Olímpicos

 

Os Jogos têm motivado umas postas muito interessantes por parte da comunidade blogueira oriental. Destaca-se o debate ente o Nuno Lima Bastos  do “O Protesto” e o Leocardo do “Bairro do Oriente” em torno da atribuição dos Jogos vs Direitos Humanos. A ler também o balanço final de Miguel Castelo Branco, bem como o relato da Vera Penêda a respeito do isco utilizado pelo governo chinês para impedir qualquer tipo de manifestação e, nalguns casos, deter os seus organizadores.
 
Adenda a 30/08/2008: Ainda sobre a temática Jogos vs Direitos Humanos, imperdível a leitura de "A fechar a Olimpíada" (muito bom) de Nuno Lima Bastos. 
publicado por Conde da Buraca às 02:11
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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

A poucas horas do momento tão desejado

Às 08.00 h da noite, do dia oito, do oitavo mês do ano de dois mil e oito, arrancarão os Jogos Olímpicos de Pequim. Quem for minimamente conhecedor das superstições chinesas sabe que a presença repetitiva do número oito não é uma mera coincidência. Será uma prova de fogo à reputação do número da fortuna que tem vivido um ano difícil com os nevões, os tremores de terra, as cheias e as questões do Tibete e de Xinjiang. A escolha representa a importância que toda a Nação deposita no maior acontecimento desportivo do planeta. Para os nossos olhos ocidentais talvez faça um pouco de confusão a dimensão do orgulho do povo chinês em torno dos Jogos. Desde os mais miseráveis até os intelectuais que não estão satisfeitos com o actual regime político e que anseiam por mudanças, todos reagem mal a qualquer interferência exterior para com o desenrolar normal da competição. Independentemente de se gostar ou não das políticas do governo, os holofotes do mundo estão apontados para a China e não é hora para a deixar ficar mal. É o nome da Pátria que está em jogo, um gigante com uma história fabulosa que nos últimos dois séculos sofreu humilhações difíceis de digerir e que recentemente se tem reerguido ao ponto de ter capacidade para organizar pela primeira vez uns Jogos Olímpicos. Tenho esperanças de que um dia a China venha a dar muito mais pela liberdade e pela paz mundial, por agora espero apenas que tudo corra pelo melhor, o povo chinês merece-o.
 
A propósito do arranque dos Jogos aconselha-se a leitura deste balanço de partida do Arnaldo Gonçalves no seu Exílio Andarilho, bem como a visita regular do China em Reportagem da Maria João e do De Olho no Dragão da Vera Penêda.
publicado por Conde da Buraca às 02:43
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Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Portugal na China

Talvez a China seja um dos mais suspeitos barómetros da visão estratégica de Portugal  enquanto Nação que supostamente se quer cada vez mais forte neste competitivo mercado global mas, a meu ver, é um local priviligiado para se aferir tal medição. O método não consiste na contagem dos produtos portugueses que se pode encontrar neste mercado composto por um quinto da população mundial, tal tarefa revelar-se-ia excessivamente morosa e o resultado aquele que se sabe, miserável. Além disso, as conclusões que se poderiam extrair desse conhecido resultado, no máximo, dir-nos-iam que no passado Portugal andou a dormir e nada sobre a actual estratégia cujos frutos ainda poderão estar por colher. O método então utilizado é muito mais simples e consiste na comparação do esforço que tem sido desenvolvido pelos dois países ibéricos no sentido da divulgação e promoção das suas línguas e culturas por estas paragens. Portugal continua a olhar para a China como esta fosse Macau, em vez de aproveitar essa porta como plataforma para os grandes centros de decisão onde o futuro acontece (Pequim e Xangai) continua agarrado às velhas glórias do passado. A promoção da nossa língua fora de Macau é um deserto. Segundo a webpage do Instituto Camões, este contribui com uma rede de docência de seis professores distribuídas por outras tantas universidades chinesas. O número parece simpático mas na minha opinião, além de ser muito pouco, os frutos que Portugal retira desse esforço em termos de incremento das relações económicas entre os dois países é nulo. Baseio esta conclusão nas conversas que já tive com alunos de português de duas universidades de Pequim. Ao que parece os licenciados em português não têm qualquer problema em encontrar um emprego bem remunerado, são na sua maioria rapidamente absorvidos pelas grandes companhias chinesas que operam em Angola e no Brasil. O Centro Cultural do Instituto Camões em Pequim que deveria ter um papel importante na oferta de cursos da língua portuguesa que não licenciaturas, cursos com horários pós–laborais em que os empresários chineses interessados nos produtos portugueses poderiam investir na formação dos seus funcionários, vive confinado a um espaço cedido pela Embaixada de Portugal de reduzidas dimensões que limita a organização de algo mais do que umas esporádicas exposições de uma dúzia de quadros na mesma única sala onde é possível leccionar português. Tendo em consideração as dimensões dessa sala “multiusos” poderá estimar-se com uma dose generosa de optimismo que, no máximo, 30 alunos frequentam todas as semanas os cursos de português proporcionados pelo Centro Cultural do Instituto Camões de Pequim. O plano de actividades disponível na internet é por si só demonstrativo do desinteresse de Portugal, reporta-se ao ano de 2006 e metade delas continuam com data por definir. Já os nuestros hermanos não andam a dormir. Para além de o espanhol ser uma língua com presença em diversas universidades e em diversas escolas privadas, o Instituto Cervantes também está presente com instalações próprias. Trata-se de um novo edifício (ver aqui fotografia da fachada) dotado de inúmeras salas de aula, de uma biblioteca com já alguns milhares de exemplares,  salas de exposições e auditório. Proporciona uma variada gama de cursos com diferentes níveis, para crianças e cursos especialmente vocacionados para a área dos negócios (acho que este pormenor diz tudo). Dispõe de uma página na internet muito bem estruturada que pode ser também consultada na língua chinesa (outro pormenor revelador). Depois há  todo um vasto programa cultural, 2007 foi o ano de Espanha na China (ver página criada para o efeito), centenas de actividades culturais foram realizadas nas mais importantes cidades chinesas, despertando um interesse cada vez mais crescente pelos nossos vizinhos. Já é possível assistir nos canais de televisão a touradas de uma praça madrilena !!! O abismo entre o programa de actividades das duas Instituições é de tal forma profundo que o argumento da actual discrepância económica entre Portugal e Espanha soará a ridículo. O nosso problema não é a falta de recursos naturais, o nosso problema são os portugueses.
 
publicado por Conde da Buraca às 20:01
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

Queridos Vizinhos

Esta fotografia a lembrar o auge da xenofobia nazi foi tirada mesmo por debaixo do edifício onde vivo. Os habitantes de Pequim em geral não expressam o seu amor para com os seus vizinhos do mesmo modo entusiástico com que o proprietário desta superfície comercial o faz mas o sentimento, com mais ou menos intensidade, incluindo o das gerações mais jovens, é o mesmo, a malta não gosta de japoneses. Sessenta anos não é assim tanto tempo para sarar as feridas de uma guerra repleta de barbaridades como o foi a segunda grande guerra, especialmente aqui na Ásia onde os feridos são outros e os medicamentos utilizados nem sempre são os mais adequados. Parece-me interessante deixar aqui algumas reflexões pessoais sobre os porquês desta lenta cicatrização.

 

A primeira é sobre o orgulho deste gigante que em tempos remotos concluiu que além das suas fronteiras nada de interessante poderia advir (daí o simpático apelido de “bárbaros”), reduzindo os seus contactos com o exterior ao mínimo necessário, abdicando de prosseguir com as grandes explorações marítimas realizadas até então e, mais grave ainda, apagando da memória os conhecimentos científicos adquiridos. A invasão nipónica foi um golpe demasiado forte  e difícil de esquecer para este povo orgulhoso do seu passado grandioso. O período entre as perdidas guerras do ópio e o fim da segunda guerra mundial é encarado como um percalço de percurso, sendo a actual fase vista como a recuperação rumo ao lugar que sempre foi seu, a liderança mundial.  

 

Depois temos a bastante criticada (tanto pela China como pela Coreia do Sul) dificuldade do Japão em lidar com o seu passado recente que não tem contribuído nada para a sua popularidade. Assumir os erros do passado, especialmente quando este é recente e pincelado de tons negros não é coisa fácil, devem ser poucos os países ou nenhum que o façam  abertamente. No entanto o Japão tem enveredado precisamente pelo sentido contrário, as recentes alterações nos cadernos escolares é algo que não seria tolerado na Europa se a Alemanha procedesse da mesma forma. Reclassificar o massacre de Nanjing (na época capital da China nacionalista) como apenas um incidente é algo comparável à Alemanha negar o Holocausto, aconselho uma vista a este link da Wikipédia a respeito do referido massacre para terem uma ideia da sua real dimensão.

 

Por outro lado, apesar das palavras bonitas aquando dos encontros políticos, a meu ver, o esforço chinês de educar as novas gerações no sentido da reaproximação tem sido diminuto. Falo obviamente na condição de um recém chegado que, como todos os recém -chegados a um novo país, ainda tem muito por conhecer. Mas há pormenores que saltam há vista e que dão para imaginar o todo. Basta ligar a televisão e fazer uma ronda pelos inúmeros canais  para encontrar um qualquer documentário dedicado às atrocidades cometidas pelos japoneses na segunda grande guerra. Não quero com isto dizer que, em nome das boas relações, a história deva ser ocultada, apenas parece-me exagerada a frequência com que este tipo de programas são emitidos.  Mais escandaloso é o próprio canal reservado às crianças também não escapar à regra, há uma série de cartoons em que soldados japoneses, os maus da fita, são constantemente ridicularizados.  Se calhar exagero mas penso ser característica comum de regimes totalitários, a existência de um inimigo exterior (nem que para isso se crie um) como factor de união do país, como agora o Capitalismo até é boa pessoa talvez o Japão seja o substituto.

 

A verdade é que por cá, apesar de decorridos mais de 60 anos e de, actualmente, o Japão ser o maior parceiro económico da China, ainda há importantes passos a dar por ambas as partes. Um clima de paz mas com a sombra do xenofobismo por perto, pode, de um momento para o outro, transformar-se numa negra tempestade. Mas isto, provavelmente, é só a minha veia apocalíptica a falar ou, mais provável ainda, o síndrome de encerramento de um post exageradamente longo.

 

publicado por Conde da Buraca às 15:41
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Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Aquele dia que por cá ninguém fala

Há quatro dias atrás foi aquele dia na China que todos nós sabemos mas que dele aqui ninguém fala. Foi há 18 anos. Esse acontecimento, as sanções internacionais que se seguiram e o fim da U.R.S.S . terão sido interpretados pelos líderes de então como um sinal de necessidade de mudança. Aos poucos foi reaproximando-se do Ocidente e este seduzido pelas potencialidades deste mega mercado acabou por esquecer o tal dia que nós sabemos. Questiono-me se este esquecimento não terá sido o melhor que o Ocidente alguma vez poderia ter feito pelo povo deste país. No exterior penso que é generalizada a opinião de que o regime político chinês está, com o passar dos anos, de pedra e cal, de facto, assim é, a possibilidade de nos anos próximos surgir um movimento democrático de oposição é algo impensável. Vivo em Pequim, uma mega urbe cuja realidade sei não ser a realidade do interior mas que é a mesma de outras grandes cidades espalhadas por esta China fora, ou seja a realidade de centenas de milhões de pessoas e do grosso da massa crítica. O povo está feliz, longínquos são os tempos em que predominava o azul/verde das vestes operárias, o telemóvel e o leitor mp3 , na próxima geração, segundo a Lei de Darwin, serão os novos orgãos humanos dos habitantes deste canto do planeta, os jogos olímpicos estão à porta, vive-se uma espécie de bebedeira colectiva tamanho é o excesso de novidades.  O orgulho pelo desempenho do governo é notório, quando a fórmula mágica deste apenas consiste na abertura das portas ao investimento exterior e nos miseráveis salários. Tem sido um empurrar com a barriga que tem sido conveniente a todos, a última concessão foi o reconhecimento da propriedade privada (ainda não nos moldes como conhecemos, mas um importante passo). Depois há a internet, esse gigante que nem mesmo o filtro chinês consegue dominar (discordo daqueles que criticam o Google por censurar certos conteúdos, a sua presença faz muito mais pela democracia do que a sua ausência). O ser humano tem aquele pequeno defeito chamado ambição, quer sempre mais, os chineses não são diferentes, não se contentarão eternamente com as mesmas conquistas, liberdades, os mesmos salários. Como isto de controlar a felicidade do povo de um país “capitalista” não é coisa fácil, os salários, naturalmente, acompanharão o crescimento económico até que, um dia, a economia já não será tão competitiva e o poder de compra diminuirá. Nessa altura as brilhantes qualidades dos timoneiros serão postas em causa e a pergunta “Se estes tipos não conseguem porque não outros? ” surgirá e, quem sabe, até do interior do próprio partido. Talvez então se faça a transição pacífica para uma democracia multipartidária, talvez um dia aquela praça que todos nós sabemos  receba flores de homenagem aos jovens que deram o bem mais precioso que tinham e não de homenagem a corpos embalsamados que em vida se julgaram imperadores.  Divagações, quem sabe...

 

Nota: A fotografia foi furtada no China em Reportagem.

 

publicado por Conde da Buraca às 12:58
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Terça-feira, 24 de Abril de 2007

Colombo – Um dos Melhores Portugueses de Sempre (talvez no próximo concurso)

Ao ler a notícia de que o novo filme de Manuel Oliveira, em início de rodagem, aborda a tese de que Cristóvão Colombo (CC) é português, veio-me à memória uma frase batida o best seller de seu nome “Codex 642” da autoria do nosso Fernando Pessoa (1) do Séc. XXI, José Rodrigues dos Santos (JRS). Não, não vou divagar sobre esse marco da literatura que são as linhas que nos dão a conhecer o poder afrodisíaco da sopa de leite sueco. Só por esta pequena referência penitencio-me, tenho consciência que para um criador do calibre do JRS seja frustrante constatar que a análise à sua obra se cinja, principalmente, a um punhado de linhas. Mas quanto a isso, infelizmente, nada há a fazer, a grandeza literária desse momento é de tal ordem que, inevitavelmente, ofusca a qualidade de todos os demais. Não sei se foi esse o motivo mas a verdade é que o principal eventual mérito do livro, logo a seguir ao já referido, promover o debate público da investigação do Historiador Augusto Mascarenhas Barreto (AMB), acabou por não se concretizar. AMB dedicou vinte anos da sua vida na investigação / desenvolvimento da tese de que CC, português de gema, terá desempenhado as funções de 007 ao serviço de Sua Majestade El Rei D.João II. Segundo as suas conclusões, publicadas em dois livros (este de 1988 e mais este de 1997), D.João II, face à crescente cobiça dos nossos vizinhos pelas riquezas oriundas do Oriente, terá decidido desviar as atenções destes para outro continente que já conhecia, fazendo com que, através de CC, acreditassem que tinham descoberto as costas orientais do continente asiático. O valor desta descoberta é incalculável, não tanto por o homem ser português mas principalmente porque, afinal, ao contrário do que bradam os nuestros hermanos, deste lado da fronteira há muito que já se conhecia a forma geométrica do planeta. Por cá não havia dúvidas quanto ao caminho marítimo mais curto para a Índia, grandes gargalhadas devem ter ecoado em Lisboa com as notícias da felicidade castelhana (só uns anos mais tarde é que se aperceberam que a Ásia ficava um “pouco” mais distante). Segundo as palavras de Miguel Castelo Branco, JRS terá bebido sofregamente a tese de AMB sem deixar uma única palavra pública de louvor à fonte de inspiração. Como se sabe o Codex 632 foi um sucesso comercial mas não teve o condão de lançar o debate do tema. O novo filme de Manuel Oliveira é mais uma oportunidade que, provavelmente, também será desperdiçada. A indiferença das forças mobilizadoras de Portugal em relação a este tema é algo de inclassificável. Em 1991, numa imperdível entrevista concedida à revista Kapa, AMB relatava o alucinogénico episódio da nossa Secretaria de Estado da Cultura de então que, em resposta ao porquê de não ser tomada uma posição, terá formalmente informado a sua inutilidade, como nos seus quadros não havia pessoal qualificado para tal, o melhor seria esperar que os países estrangeiros se manifestassem (quiçá a Espanha ou a Itália). Hoje, 20 anos depois da primeira publicação, o governo português dá alguns sinais de evolução com a presença da ministra da cultura na inauguração da estátua de CC na Vila de Cuba mas sempre com muitas reservas. Referiu na ocasião Isabel Pires de Lima que gostaria imenso que fosse demonstrada a naturalidade cubana de CC mas que relativamente a essa questão, Cuba e muito menos o seu ministério, nada ordenam. Será que o motivo desta incapacidade para ordenar é a existência de algum botão encarnado que quando premido fará cair sobre Portugal uma chuva de mísseis nucleares ou será que a razão continua a ser a mesma, falta de pessoal qualificado. Se a causa é a primeira, os sucessivos governos estão de parabéns, têm conseguido evitar o desastre nuclear, se não o é, porque não se abre os cordões à bolsa e se contrata uma equipa de historiadores de renome, incluindo estrangeiros, para avaliar e emitir um parecer sobre as provas apresentadas por AMB. Seria o procedimento mínimo expectável de qualquer governo que preze pelos interesses do seu país e, estou certo, ficaria mais em conta do que a verba disponibilizada para a realização do novo filme de Manuel Oliveira. Independentemente das conclusões, estaria cumprido o dever para com o nosso passado. Sendo o resultado favorável, Portugal estaria em condições de formalmente solicitar ao Governo Espanhol a disponibilização dos dados referentes ao ADN da família Colombo (CC e o seu irmão) de forma a  poder compara-los com os antepassados identificados na árvore genealógica portuguesa, na qual se inclui o Rei D.Duarte, avô do navegador. Em nome da verdade histórica, o compartilhar de tais informações não poderia ser recusado, além do mais, facilitaria a obstinada pesquisa genética (mas sem os resultados esperados) que tem vindo a ser realizada em Espanha e Itália em busca das origens de CC. Isabel Pires de Lima acha que o seu Ministério pouco pode fazer, talvez o da Agricultura possa ajudar. Duas notas finais, uma para a imprensa portuguesa que, com raras excepções, pouco procurou saber das razões da inércia governamental, a outra para os deputados da oposição que também não têm manifestado qualquer tipo de interesse, destaco, por razões óbvias, o PPM, cujas intervenções do seu líder no parlamento, à data, se resumem na oposição ao corte dos apoios financeiros da companhia de teatro barraca e também na oposição da instituição do dia nacional do yoga.

 

(1) Fernando Pessoa é aquele personagem de chapéu e óculos arredondados que figurava entre os 10 melhores portugueses de sempre.

publicado por Conde da Buraca às 14:44
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Sábado, 7 de Abril de 2007

A Arte de Carregar no Botão

Para os mais cépticos relativamente aos porquês do crescimento económico chinês queria  aqui deixar um exemplo por si só demonstrativo do elevado grau de especialização / formação que a mão de obra deste país atingiu. Tratam-se das milhares de pessoas que todos os dias se dedicam a essa complexa arte que é carregar no botão e as suas diferentes ramificações. Uma das que inicialmente mais desperta estranheza a um ocidental, são as meninas dos elevadores, espaço de trabalho, onde com uma desenvoltura notável carregam no botão correspondente ao andar que desejamos deslocar-nos. Aconselho vivamente a leitura deste  post no China em Reportagem, onde a sua autora nos dá a conhecer, em mais pormenor, um dia destas trabalhadoras especializadas. Depois vamos encontrando outros exemplos, como é o caso da menina do edifício onde passo todas as manhãs, a sua função é carregar num dos oito botões da máquina de café, cada um deles correspondente a um diferente tipo de bebida. Não revela a mesma agilidade da colega do exemplo anterior mas é preciso dizer que também acumula a função de receber o dinheiro, apesar de a máquina possibilitar a inserção de moedas. A conclusão natural de um recém-chegado é de que, por estes lados, a densidade de habitantes manetas é muito superior à média mundial. Mas não, a intenção é simplesmente explorar o conceito da especialização/produtividade até ao limite e, há que dizê-lo, com resultados extraordinários. O facto de a restante massa laboral já não necessitar de reservar células cinzentas para memorizar o modo de como se carrega em botões, possibilita que estas sejam utilizadas para o aperfeiçoamento da sua profissão. Poderá parecer que o impacto é reduzido mas o potencial ainda por explorar é enorme, imaginem a imensidão de equipamentos que exigem o premir do betão. Já se comenta a possibilidade de, brevemente, na compra de um aparelho de tv, estar também incluída a oferta de um profissional no domínio do comando. Claro que ainda há pormenores por afinar, sou da opinião que deveria ser criado o cargo de adjunto que, diariamente, na companhia do seu mestre, aprenderia os segredos da profissão e o substituiria nos dias de doença. Evitava-se assim nessas ocasiões, situações caricatas como pessoas que, deparadas com a ausência da operadora do elevador, optam por não sair de casa, faltando ao emprego, outros há que optam por descer/subir dezenas de andares pelas escadas ou ainda aqueles que tentam carregar nos botões com os dedos dos pés, correndo o risco de se lesionarem com gravidade. Pequenas falhas que, certamente, serão corrigidas. Como se vê, não é apenas com salários baixos que o ministro de economia de Portugal conseguirá atrair o investimento chinês, é também necessário investir fortemente na especialização/formação da mão de obra.

publicado por Conde da Buraca às 11:32
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Segunda-feira, 5 de Março de 2007

Cidade Proibida

Há lugares que só conhecemos pelos livros, filmes e pelo que a nossa imaginação vai acrescentando aos espaços em branco. Depois de visitar a mítica residência dos imperadores fiquei com a sensação de que nunca mais me iria referir a ela com a mesma paixão com que o fazia antes, a cidade que outrora conhecera sem conhecer morrera ali. Apesar da sua dimensão megalómana e do entusiasmo inicial com que cruzei as suas grandes portas, no final, o sentimento não era o deslumbramento que sempre esperara mas outro a roçar a decepção. Para tal talvez tenha contribuído a monotonia da arquitectura que numa extensão desta dimensão acaba por cansar, as grandes obras de recuperação a pensar nos Jogos Olímpicos de 2008 que cobrem alguns dos edifícios principais e talvez ainda o facto de ser interdito o acesso aos mais interessantes, apenas sendo permitido observar o interior pelas janelas. É claro que se trata de uma obra notável mas a verdade é que há muita criação do homem por esse mundo fora, para não falar das da natureza, que arrebatam muito mais. Os belíssimos cenários e sempre diferentes que cada dobrar de esquina de algumas cidades nos reserva ou ainda, por exemplo, o efeito de espanto e pequenez que se sente no interior das grandes catedrais. Queria muito que assim não fosse mas foi.

publicado por Conde da Buraca às 05:45
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Domingo, 4 de Fevereiro de 2007

E antes do Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908?

Neste post do Combustões a propósito do 99º. Aniversário do assassinato do Rei D.Carlos e do Princípe Herdeiro Filipe, aponta com convicção o seu autor, cujos textos muito aprecio e são motivo de visita diária, como causa para uma série de trágicos acontecimentos que se verificaram em Portugal no decorrer do século XX, o brutal regicídio de 1908. Depreende-se das suas palavras que se a monarquia constitucional tivesse sido mantida até aos nossos dias, Portugal, hoje, fruto da liderança de homens pré-destinados para esse tipo de funções, seria um País bem melhor do que o actual. Talvez sim, talvez não, isso é coisa que nem o Miguel Castelo Branco nem ninguém, algum dia o poderá saber. E como tal não é possível e já que se fala da separação de Portugal da Europa, questiono-me se esse divórcio não terá principiado bem antes, algures no início do Séc. XVI, no Reinado de D.Manuel I, quando este monarca com as suas ambições ibéricas terá iniciado um processo de destruição do trabalho que levou um século a edificar pelos seus antepassados. Portugal, na época um reino vanguardista que liderava o domínio das ciências, pólo de atracção dos cérebros de toda a Europa, enveredou por um longo caminho de intolerância e regressão. Que diria o Infante desta política que levou os estudantes da Universidade de Coimbra a desconhecerem, em pleno Séc. XVIII, os trabalhos de Copérnico, Galileu e Newton, só para referir os mais famosos. Que diria D. João II se lhe contassem que a grandeza do seu reino, 400 anos depois do Tratado de Tordesilhas, seria apenas uma miragem do passado que cegava os novos governantes ao ponto de conduzirem Portugal à humilhação e ao descrédito internacional que foi o ultimato inglês. Acreditaria ele que em 1891 Portugal estaria falido ao ponto de durante 90 dias a convertibilidade das notas de banco vir a ser suspensa. Será que a taxa de analfabetismo de aproximadamente 75% (Censos de 1900) em comparação com as taxas inferiores a 1 % de países como a Noruega, Dinamarca, Suécia ou a Alemanha já não seria um sintoma dessa separação da Europa. A D.Carlos é gabado e reconhecido o seu patriotismo, a sua apetência para as artes, a paixão pelas investigações oceânicas, o tiro certeiro mas faltou-lhe o que Portugal mais precisava, capacidade política para mudar o rumo dos acontecimentos como o atestam as treze eleições gerais no seu reinado de 19 anos (bem longe do recorde da primeira república, há que o registar, mas não deixa de ser uma marca simpática). Depois D.Carlos falhou naquelas pequenas coisas a que o pobre dá muita importância, um Rei tem que dar o exemplo, não pode em tempos de vacas magras trocar de iate real como quem muda de camisa (começou com o Amélia I e já ia no Amélia IV), o perdão total da dívida dos adiantamentos à casa real é também outro exemplo de insensibilidade política que muito contribuiu para o atear da fogueira. Tivesse D.Carlos reinado em épocas anteriores, as recordações de hoje seriam outras, quis o destino que fosse ele a receber o pesado fardo dos erros dos seus antepassados. O grande responsável pela queda da monarquia e pelo caos político que se seguiu foi a própria monarquia, foi ela que encaminhou Portugal para a miserável situação de então, criando-se as condições ideais para que o Partido Republicano e organizações extremistas como a Carbonária crescessem tanto em tão pouco tempo. É verdade que, aquando da criação do Partido Republicano, o apoio popular deste era minoritário mas já não se pode afirmar o mesmo em relação aos últimos anos da monarquia. E os factos são que em 1908 o Partido Republicano venceu as eleições na Câmara Municipal de Lisboa (toda a vereação do P.R.P) e que após a proclamação da República, a adesão foi unânime em todo o país, não se tendo verificado manifestações contrárias nem por parte dos militares, nem por parte dos civis.
publicado por Conde da Buraca às 08:20
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Quarta-feira, 24 de Janeiro de 2007

Cuidado, não se deixem arrastar

Supondo que o “Sim no Referendo” é de facto uma criação do Bloco de Esquerda, pergunto qual é o problema. Se assim é, só revela inteligência dos seus mentores, ao contrário do CDS-PP que tem estado concentradíssimo com o seu próprio suicídio, compreendo, não é tarefa fácil. As ideias que cada um dos participantes expõe são suas, não são fruto de qualquer lavagem cerebral (não quero negar com isto que o BE não possui esse tipo de equipamento), tudo bem, duvido que o Rui Rio tenha sido convidado, só lhes ficava bem, mas estão no seu direito. O que me é difícil compreender é a indisfarçável azia com que o “Sim no Referendo” foi recebido por alguns bloggers da praça, tornando-se mesmo nos seus maiores publicitários, destaque com grande avanço em relação aos outros concorrentes para o André Azevedo Alves (uma espécie de motor de busca humano). A sua determinação obstinada (aqui, aqui e aqui) leva-me mesmo a questionar as suas reais motivações, querem ver que o homem tem dupla personalidade, queria fazer o pleno, isto é, participar nos dois blogs, mas só o do Não é que o convidou. Deixa-se aqui este link com a sincera esperança que o ajude a ultrapassar esse momento difícil.
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publicado por Conde da Buraca às 07:58
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Domingo, 21 de Janeiro de 2007

A língua portuguesa lá fora e as outras cá dentro

Confirmando-se o que me foi relatado por colegas venezuelanos e pelo que aqui é noticiado (única fonte até à data no google news) é uma grande notícia para Portugal. Faz todo o sentido, o Brasil além de vizinho, é também o país mais populoso da América do Sul e um dos que ao lado da China e da Índia, está incluído no grupo dos que se estimam que sejam as novas super potências económicas mundiais do presente século. A Venezuela segue assim o exemplo da Argentina, onde o português é língua obrigatória no ensino básico e secundário. Acredito que este efeito do crescimento económico brasileiro terá continuidade, alastrando-se, mais tarde ou mais cedo, às restantes nações Sul Americanas. Por cá, Península Ibérica, Castelhanos e Lusitanos continuam de costas voltadas. Em Portugal, a disciplina da língua espanhola apenas surge no 3º. ciclo e na condição de opcional. Fará sentido que a língua alemã e a francesa (esta nem está incluída no grupo das dez principais línguas maternas do mundo), desde o 2º. Ciclo, sejam opções dos estudantes portugueses em detrimento da língua espanhola, cujo universo de   358 milhões de falantes a coloca na terceira posição mundial. Em Espanha, a situação é semelhante, o ensino do português da responsabilidade do governo espanhol, apenas surge no ensino secundário (7º. ano) e também na condição de opcional.
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publicado por Conde da Buraca às 05:11
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Sábado, 13 de Janeiro de 2007

Uma teoria de conspiração por dia dá saúde e alegria

É com um esforço interior descomunal que faço por aparentar calma quando da boca de pessoas que pessoalmente conheço escuto certo tipo de barbaridades. É-me ainda mais custoso quando a essas pessoas lhes foram proporcionadas condições invejáveis de formação como por exemplo a experiência de estudar em boas universidades estrangeiras e de conhecer outras realidades. Chego à conclusão de que há cérebros que, por mais que sejam exercitados, não evoluem. Vem isto a propósito de uma recente exposição de ideias numa mesa de café por parte de uma criatura que pelos vistos reúne essas características cerebrais. Enquanto expunha orgulhosamente a genialidade do seu pensar, hesitei em me levantar, dar-lhe dois ou três tabefes e de lhe dizer que sentia profunda pena dos seus pais mas a opção por não interromper o homem acabou por vigorar. Pois bem a teoria é de que os atentados de 11 de Setembro não foram concretizados pela Al-Qaeda mas pelo próprio governo americano com o propósito de se criar uma opinião favorável a uma futura invasão ao Iraque e desse modo aceder-se às suas imensas reservas petrolíferas. Os argumentos eram fraquinhos, além das já referidas reservas petrolíferas a carta da manga era o modo como as torres gémeas se desmoronaram. É que segundo ele, aquele tipo de desmoronamento está reservado às demolições por implosão pelo que é por mais evidente que foram colocados explosivos nas fundações dos edifícios, os aviões foram só para despistar. E foi com este fenomenal argumento que o jovem conquistou a plateia, porque será que a palavra América provoca este efeito de cegueira que impede as pessoas de pensar. Ninguém questionou se aquele tipo de desmoronamento poderá ter outra origem que não a indicada pelo orador, ninguém questionou o motivo de porque será que nenhum especialista de estruturas em todo o mundo, nem um único, levantou a questão e porque seria que era naquela mesa que o mistério era decifrado. Isto é preocupante, a cegueira de alguns seres é tão grande que suspeito se for lançado um boato em que as torres gémeas na realidade nunca existiram, que ninguém morreu naquele dia, que tudo não passa de uma grande ilusão criada pelos americanos com décadas de antecedência (esta porque há que justificar os filmes com as imagens das torres), não faltarão crentes.
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publicado por Conde da Buraca às 17:43
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Segunda-feira, 25 de Dezembro de 2006

Reflexões Teológicas - Maomé, o José Mourinho dos Céus

Já tinha conhecimento que, segundo o Corão, Cristo terá sido um dos profetas da palavra de Alá (uma espécie de presidente do Real Madrid, tantas são as estrelas que compõem o seu plantel). Parece que com o passar dos tempos, a depuração dos ensinamentos de J.C. obrigou a nova intervenção do Todo Poderoso (desta através do profeta Maomé) de forma a que nos fosse revelado mais uma vez o caminho da salvação. No ponto de vista aqui do ateu, a referida referência a Cristo no Corão é uma jogada estratégica de mestre. O que ganharia o Islão, desmarcando-se radicalmente do Cristianismo, religião com uma comunidade de fiéis numerosa e com séculos de antecipação. Nada, pelo contrário, apenas perderia. É muito diferente sermos confrontados com a inutilidade das nossas crenças do que com um upgrade. Depois um fruto proibido é sempre mais apetecível, para quê criar mais um, é mais inteligente dizer para se comer x porque é melhor do que y em vez de se proibir y. Já nutria uma certa admiração intelectual por Maomé, hoje mais o admiro pois desconhecia o que recentemente me chegou aos ouvidos. Parece que, também segundo o Corão, o dia do julgamento final, será aquele em que Cristo se anunciar novamente ao mundo, ao serviço de Alá e desempenhando as funções de juiz. Porquê este papel para Cristo? Aqui o ateu opina que Maomé, tendo consciência do poder da religião cristã, receava que algum tipo inteligente como ele se fizesse passar por Cristo e pusesse em causa todos os seus ensinamentos. Assim de forma a garantir que tal não acontecesse, nada melhor que reservar um papel para o seu rival lá para o final dos tempos. Como o fim do mundo motivado por decisões divinais nunca se sucederá (eu sei porque Deus mo disse e que também o havia dito a Maomé), qualquer nova aparição de Cristo que não acompanhada pelo juízo final (todas) seria encarada como trapaceira. Concluindo, um homem brilhante.
publicado por Conde da Buraca às 13:41
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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

Os Números estão na Moda

A guerra pela posição nas listas de blogs já tem barbas, no inicio a técnica era escolher um nome que começasse com a letra A, além de se ficar no topo da lista e por consequente mais visível, aumentavam também as hipóteses de uma pequena parte dos muitos leitores do Abrupto, por engano, clicarem no link do seu blog. O abuso desta técnica chegou ao ponto de aqueles cujo título da sua preferência estava destinado aos confins das listas, resolvessem o problema introduzindo os artigos definidos “A” ou “As”. Hoje emerge um novo fenómeno, os títulos com números. Não é de agora mas é nestes últimos meses que ganha um fôlego importante, primeiro com esta malta e depois com esta. Não se tratam de bloggers em início de carreira, mas sim de consagrados, cujos nomes por si só são suficientes para atrair muitos visitantes. Será então coincidência ou as duas grandes novidades da Blogosfera Nacional, apesar do estatuto dos seus autores, não abdicaram de recorrer a este recurso para garantir um lugar na pole position. Se assim foi, qual o mal que vem ao mundo? Nenhum, mas dá um certo gozo constatá-lo. Aliás, esperançado que o fenómeno alastre já tratei de registar a autoria do título “- Infinito “, quem sabe ainda venho a ganhar umas boas massas.
publicado por Conde da Buraca às 17:41
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Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006

Oferta de Emprego-Empresário e Consultor de Imagem - Enviar Currículo para o Gab.Rec.Hum. do Paraíso

É verdade, a carreira de Deus já viveu melhores dias, a continuar assim, corre o risco de se transformar numa espécie de banda do tipo os ABBA que ano sim, ano sim, lá pelo Natal, relembram-nos da sua existência, lançando um Best Off com uma nova sequência das mesmas músicas de sempre. Não obstante ser de louvar o esforço descomunal que a referida banda desenvolve para que, ano após ano, as posições dos hits não se repitam (aproveito para informar que a última música da Colectânea de 91 é a primeira da de 92, o que é chato para quem ouve os dois álbuns de seguida, um pormenor a melhorar), uma audição mais experiente acabará por detectar com algum custo, é verdade, que não há nada de novo (lamentámos decepciona-lo). Serve a analogia para registar que Deus, talvez pelo estatuto de estrela que adquiriu ao longo dos séculos, já não sente necessidade de aparições públicas ou de compor novos milagres. Os clássicos continuam a ser grandes Obras, especialmente Fátima, aí transcendeu-se, fazer com que o movimento do Sol apenas fosse observado na Cova da Iria e não provocasse a desintegração do sistema solar, não é para qualquer um, genial, estiveste bem pá. Pena é que só se dê importância à aparição da Virgem, nada que não surpreenda neste mundo que não sabe quem foi o primeiro Prémio Nobel da Física mas não esquece o primeiro anúncio televisivo da Maxman (já agora, se alguém tiver o vídeo, o e-mail está ali na coluna do lado). Pois… Deixemo-nos de desabafos e vamos ao que nos trouxe por cá, o problema é que foi precisamente no século de todas as mudanças que Deus decidiu recolher-se nos seus aposentos celestiais. Problema, porque relatos de milagres com pastorinhos e ovelhas já não cativam as crianças, há que renovar o stock com personagens e objectos do nosso tempo. Talvez uma criança que se delicia com a morte do seu centésimo tamagochi por maus tratos e, de repente, do nada, surge uma luz ofuscante que a cega temporariamente e a repreende de tal forma que, quando desaparece, o menino decide tornar-se num missionário e, de casa em casa dos seus colegas de escola, alimentar os tamagochis oprimidos. Depois esse estilo discreto pode ter funcionado no passado, quando não havia televisão, Internet, o pessoal deitava-se ao pôr do sol, acordava com o cantar do galo e o único livro em casa era a Bíblia, mas no século XXI é suicídio (pecado). As famílias são constantemente bombardeadas com informação de todo o tipo que as levam a descurar, duvidar ou mesmo a ignorar os ensinamentos religiosos, são teorias evolucionistas, são os Códigos Davinci´s, os Hélderes que não largam a porta de casa, a provocante vizinha do lado (as vestes mudaram muito, melhor, diminuíram muito), o papa que não dá uma para a caixa e sei lá que mais. Quem tem fé deve resistir às tentações, tudo bem, mas uma aparição de vez em quando ajudava. E o que dizer das cada vez mais crianças que crescem sem os ensinamento das palavras santas dos evangelhos, também serão elas pecadoras? Não, claro que não. A mudança não pode ser mais adiada, o contacto com os humanos tem que ser mais directo, mais agressivo. Porque não se aproveita as novas tecnologias? Talvez um website onde Deus respoderia online às dúvidas dos crentes, onde se poderia downloadar os melhores milagres de sempre, com jogos religiosos para crianças, concursos que premiassem prémios aliciantes do tipo canetas e aventais com a inscrição “Jesus is Sexy”. E porque não, um God´s World Tour, ahh? Grandes palcos, onde ao vivo, Deus, him self, curava em simultâneo um paralítico e um cego para delírio da multidão, para o encore, se a actuação fosse na Etiópia ou na Somália, reservava-se o milagre da multiplicação do pão e do peixe. Enfim, uma imensidão de possibilidades que não são aproveitadas pelo nosso criador. Uma, apenas uma explicação é aceitável para tal displicência, Deus está mal acompanhado, está rodeado por conselheiros que de nada o informam, incompetentes que se agarraram às mordomias adquiridas, só pode ser isso, Deus não nos abandonaria…
publicado por Conde da Buraca às 14:24
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