Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Uma Questão de Democracia

 

 

O içar da bandeira monárquica nos paços do concelho lisboeta protagonizado no dia de ontem por elementos do 31 da Armada é o tema central de hoje na blogosfera. As reacções têm sido díspares, desde os sonhadores que já imaginam como próxima a restauração da monarquia como também daqueles que comparam o episódio com o incomparável. A iniciativa do 31 da Armada tem o mérito de, nas vésperas das comemorações do centenário da implantação da República, lançar o debate sobre o quão surreal é a nossa constituição ao não permitir a restauração da Monarquia constitucional mas ao mesmo tempo nada referir quanto à proibição de regimes autoritários de esquerda. A monarquia constitucional praticada em alguns dos países mais desenvolvidos da Europa ocidental não se encaixa no perfil dos regimes totalitários de direita e de esquerda pelo que não se compreende que uma nação democrática não ofereça aos seus cidadãos a possibilidade de se optar por essa variante democrática, reservando-se sempre à maioria a possibilidade de também decidir no sentido inverso.
publicado por Conde da Buraca às 15:37
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Sábado, 11 de Julho de 2009

Reflexões pós chifres

Com algum desfasamento temporal (apanágio desta casa) atrevo-me a comentar o já muito comentado em relação ao caso dos chifres de Manuel Pinho. Com o seu gesto subiu na minha consideração porque mostrou um lado infantil que contrasta com o cinzentismo e a hipocrisia da política portuguesa, sempre muito preocupada com questões menores como o deste caso e pouco com aquelas de que o País realmente necessita que sejam concentradas as energias. Houve quase um consenso generalizado quanto à inevitabilidade da demissão (um pedido público de desculpas não seria suficiente) que só a posso interpretar como um sacrifício eleitoral do PS aplaudido por unanimidade pela sempre sedenta oposição por sangue governamental. O mundo está estupefacto com a exigência moral da nossa política. Isto numa casa com alguns episódios bem mais graves (para não falar da homónima madeirense ) como aquele não muito distante em que um daqueles deputados que só lá estão para compor o rebanho resolveu convidar um outro para um acerto de contas no exterior ou, muito mais grave, o beija mão anual ao Sr. Presidente do Futebol Clube do Porto. Termina desta forma com três meses de antecedência em relação a José Sócrates a carreira política de Manuel Pinho que ao longo destes últimos quatro anos passou por momentos bem mais embaraçosos como aquele em que tentou seduzir as empresas chinesas com os baixos salários portugueses ou ainda quando se banhou com o nadador norte americano Michael Phelps. De útil desta palhaçada há a novidade de ficarmos a saber que, segundo o conceito de Francisco Louçã, a taxa de desemprego em Portugal já atingiu os 100%, o que, vendo as coisas pelo lado positivo, não seria mau de todo se tal cenário  significasse a emigração do BE rumo a Angola em busca de melhores condições de vida.
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publicado por Conde da Buraca às 00:16
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Domingo, 21 de Junho de 2009

Aqui não passaram

Livro da autoria do General Carlos Azeredo que se debruça sobre a época das invasões napoleónicas em Portugal com especial atenção para com a segunda comandada pelo Marechal Soult. Escolhi-a como livro de cabeceira, atraído pelas comemorações bicentenárias e movido por uma necessidade cada vez mais crescente de conhecer em mais pormenor o nosso passado. Quanto mais o conheço mais me espanto com a negligência dos sucessivos governos no que respeita ao ensino, conservação e divulgação da nossa história. Quando os conhecimentos da generalidade dos portugueses em relação aos quase mil anos de Portugal se resumem a meia dúzia de acontecimentos e, mesmo esses, de uma forma superficial ou errada, está tudo dito. Um deles, a transferência do governo e corte portuguesa para o Brasil, aquando da primeira invasão francesa é geralmente interpretado como um acto de cobardia, sendo D.João VI retratado como o cobarde mor, o ignorante ou ainda o gordo cujas preocupações se resumiam ao conteúdo da ementa real do dia.
A “fuga” para o Brasil não foi um acto espontâneo, pelo contrário, foi preparada com muita antecedência, envolvendo uma preparação logística de grande envergadura que foi ao pormenor de se transferirem os mármores das secretárias para os futuros serviços administrativos da nova capital. Foi reconhecido pelas nações europeias de então como um golpe estratégico genial e mais tarde o próprio José Bonaparte, no seu memorial em Santa Helena, admitiu o fracasso. O exército francês era a mais poderosa máquina de guerra de então, chegava a Portugal sob uma aura de invencibilidade, vergando todos que se atreveram a opor-lhe resistência, pelo que a decisão de D.João VI revelou-se a mais sensata, evitando a capitulação e permitindo a manutenção do império. Sobre esta estúpida capacidade de ignorarmos os feitos dos nossos antepassados e os deste caso em concreto, deixo o convite a quem conseguiu chegar a estas linhas para visitar o exercício de história comparativa com que Miguel Castelo Branco nos brinda, um regalo para a mente como aliás o é todo o seu Combustões.
Regressando à obra do General Carlos Azeredo, esta é antes de mais uma homenagem à valentia das gentes do interior rural norte português, elas sim as verdadeiras responsáveis pela derrota das tropas do Marechal Soult. Transformaram o passeio planeado pelo próprio José Bonaparte num pesadelo sem fim que culminou com uma fuga humilhante e desesperada por caminhos de cabra, abandonando pelo caminho os tesouros pilhados. Os relatos dos soldados franceses dão-nos conta de pequenos grupos de agricultores kamikazes que se lançavam sobre as colunas militares, da resistência que encontravam nas pequenas aldeias e vilas do interior, comandada pelos padres armados com a cruz e por velhos nobres com as suas velhas espadas que decoravam há muito as paredes dos seus solares. Foram estes homens e o pequeno e mal armado exército do General Silveira constituído por poucos militares de raiz e essencialmente por agricultores voluntários que foram desgastando a moral das tropas gaulesas ao ponto de Soult desistir de enfrentar o exército luso britânico que já se encontrava às portas do Porto. É interessante notar que, em contraste com o comportamento heróico das populações rurais, os centros urbanos foram conquistados com pouca ou nenhuma resistência e que nalguns casos os invasores foram até recebidos de braços abertos por simpatizantes da causa liberal estranhamente liderada por um imperador. Suponho que esse amor à Pátria ainda hoje é mais forte no interior eternamente mal tratado e abandonado pelos governantes. A dívida de gratidão para com esses heróis anónimos e homens como o General Silveira é inquantificável. Nada seria mais justo do que a devida atenção para com os seus feitos nos programas escolares para que as futuras gerações percebam que Portugal é muito mais do que os incompetentes dos nossos políticos deixam transparecer.
publicado por Conde da Buraca às 22:33
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Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Pelos Caminhos de Jacinto

 

A A Quinta de Tormes onde a personagem principal da “A cidade e as serras” se rende aos encantos da vida do campo existe para além das páginas de Eça. Localiza-se no Concelho de Baião e é hoje a sede da Fundação Eça de Queiroz. É por si só um bom motivo de visita mas o que mais me desperta a curiosidade é a possibilidade de sentir um pouco do deslumbramento que Jacinto sentiu ao percorrer o percurso entre a Estação de Tormes (onde Jacinto coloca os pés pela primeira em solo lusitano) junto ao Douro e a quinta dos seus antepassados.

publicado por Conde da Buraca às 14:53
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Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Uma aventura no jornal Avante

A propósito do último post, ocorreu-me visitar o site do Jornal Avante que encontra sempre formas muito peculiares de se pronunciar em relação a estas datas tabu da história do comunismo. Quando me preparava para desistir eis que, perdida no meio de um longo protesto de Vasco Cardoso (datado de 04/06/2009) contra a forma como a comunicação social acompanhou a campanha da CDU para as europeias, surge o que procurava. Atentemos então:
 
“Entre outras situações, foi particularmente evidente e escandaloso o papel a que se prestou a RTP na operação montada pelo PS a partir dos incidentes nas comemorações do 1º de Maio em Lisboa, ou a recuperação de acontecimentos com 20 anos, nas vésperas das eleições, como os ocorridos em 1989 na República Popular da China.”
 
Concentremo-nos na segunda parte da frase e tentemos compreender a linha de pensamento do seu autor. Apesar da timidez com que se refere ao tema penso que não há dúvidas de que se trata da barbárie cometida pelo exército de libertação da República Popular da China contra os jovens estudantes na praça de Tiananmen. Será que Vasco Cardoso não considera esse acontecimento relevante o suficiente para merecer destaque televisivo (mesmo tendo em consideração que 20 anos é uma data redondinha e como tal propícia para evocações)? Ou acha que sim mas não na data em que realmente se cometeu a cobarde matança? Talvez uma semaninha depois, numa pequena referência de meio minuto no segundo canal, na hora de fecho. Por outro lado fica a dúvida se o problema de Vasco Cardoso é a idade do acontecimento. Depreende-se que acontecimentos com o mínimo de 20 anos de idade deverão ser votados ao esquecimento, especialmente se coincidirem com as épocas eleitorais. Nesse caso pergunto se o 25 de Abril que o PCP tanto tem como seu ou ainda a data do assassinato de Catarina nas mãos da PIDE, dois acontecimentos com mais de vinte anos, ocorrerem nas vésperas de eleições, qual deverá ser o papel da comunicação social face a este infortúnio de coincidências.  É neste partido que reduz a tragédia de Tiananmen a um acontecimento de 20 anos e como tal já fora da validade para ser recordado que mais de 10% dos portugueses confiou o seu voto nas eleições de Domingo. O PCP é muito provavelmente o único partido comunista da Europa Ocidental que subsiste e que tem vindo a reforçar a sua posição. Este facto é por si só demonstrativo do estado do País e da incompetência dos políticos que nos têm governado. Em tempos idos votei PCP, um pecado de juventude, participei mesmo numa lista candidata à freguesia da vila onde cresci a convite de um amigo que muito prezo e que não é da mesma estirpe da do camarada Vasco. Hoje teria que recusar, amadureci o suficiente para perceber que o comunismo, em nome do colectivo, oprime a individualidade e que nos países onde governou especializou-se na produção industrial de miséria humana e da opressão.
publicado por Conde da Buraca às 22:24
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Sábado, 7 de Março de 2009

Só por curiosidade

 

Gostaria imenso de saber se o Sr. Vicente Jorge Silva ainda apelidaria de rasca a geração da qual muito me orgulho de pertencer.  Será que a geração desempregada ou a geração recibo verde não seriam nomes mais apropriados?

 

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publicado por Conde da Buraca às 00:33
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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

O Debate está lançado

 

Belmiro de Azevedo rebate o meu post anterior afirmando que Portugal atravessa uma crise de líderes.

 

publicado por Conde da Buraca às 14:57
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Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

A Hora da Tropa de Elite Lusitana

 

A crise isto, a crise aquilo e a crise acolá... ninguém gosta da crise a ponto de ter alcançado a façanha de superar a ASAE no top dos ódios de estimação dos portugueses. Livros são lançados que nos ensinam a combater a crise mas apenas os seus autores parecem beneficiar dessas publicações. O ataque é de tal forma cerrado que confesso, por momentos, ter a tentação de criar uma associação de simpatizantes para com esta criatura que a tudo resiste, fortalecendo-se a cada dia que passa. Dadas as circunstâncias do nosso rectângulo (desemprego em catapulta e perspectivas de futuro muito cinzentas), tenho a dizer-te, valente crise, que não posso gostar de ti. Digo mais, os teus dias neste País estão contados, Portugal, como Democracia que é, disponibiliza a cada um dos seus cidadãos uma arma letal que pode ser accionada de quatro em quatro anos. Falo do voto, através dele os portugueses podem escolher os mais preparados, capazes, audazes, íntegros,  a creme de la creme da sociedade que se sacrifica em prol da nossa Nação quase milenar. Nem sempre foi assim, é verdade, por vezes o leque de opções foi de qualidade duvidosa mas também é verdade que os desafios de então não exigiam uma tropa de elite como tu agora impões. As eleições só não são antecipadas porque os portugueses precisam de algum tempo para ponderar sobre qual ou quais dos Generais Silveiras do Séc XXI (todos eles muito bons) a enviar para a frente de combate. Escuta estes nomes: “SÓCRATES, FERREIRA LEITE, PORTAS, JERÓNIMO E LOUÇÔ. Dá Medo, não dá?

 

publicado por Conde da Buraca às 01:03
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Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

As Crianças são o Futuro

 

Exmo. Sr. Presidente da República de Portugal,
 
Compartilho a sua dor e incompreensão pelo facto de nasceram tão poucas crianças em Portugal. Quero que saiba que, no meu caso pessoal, sou pai de dois filhos e que continuo a manter o entusiasmo de sempre por trazer novas vidas ao mundo. Eu e a minha companheira, ansiamos pelo dia do nascimento do nosso quinto filho para poder usufruir das generosas deduções fiscais atribuídas aos casais nessa condição (menos 1% a 3% quando comparadas com os casais com apenas um filho). Apesar de as deduções estagnarem a partir do quinto filho, não ficaremos por aí. A nossa meta é a dezena, devemos isso a Portugal. Infelizmente o sentimento patriótico é algo que cada vez mais escasseia na nossa sociedade e temo que o seu quase desesperado apelo não surtirá efeito se não forem introduzidas medidas suplementares. Proponho humildemente que apenas sejam concedidas benefícios  fiscais a casais com dez ou mais filhos (no caso de gémeos só contaria como um filho). É um estímulo dispendioso para Portugal mas necessário, estou certo que serão poucos os casais portugueses a resistir.
 
Grato pela atenção,
publicado por Conde da Buraca às 03:18
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Assim é impossível …

 

E explica o porquê do desemprego em Portugal. Esta malta não deixa nada para os que realmente necessitam de trabalhar.

 

publicado por Conde da Buraca às 00:17
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Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Portugal na China

Talvez a China seja um dos mais suspeitos barómetros da visão estratégica de Portugal  enquanto Nação que supostamente se quer cada vez mais forte neste competitivo mercado global mas, a meu ver, é um local priviligiado para se aferir tal medição. O método não consiste na contagem dos produtos portugueses que se pode encontrar neste mercado composto por um quinto da população mundial, tal tarefa revelar-se-ia excessivamente morosa e o resultado aquele que se sabe, miserável. Além disso, as conclusões que se poderiam extrair desse conhecido resultado, no máximo, dir-nos-iam que no passado Portugal andou a dormir e nada sobre a actual estratégia cujos frutos ainda poderão estar por colher. O método então utilizado é muito mais simples e consiste na comparação do esforço que tem sido desenvolvido pelos dois países ibéricos no sentido da divulgação e promoção das suas línguas e culturas por estas paragens. Portugal continua a olhar para a China como esta fosse Macau, em vez de aproveitar essa porta como plataforma para os grandes centros de decisão onde o futuro acontece (Pequim e Xangai) continua agarrado às velhas glórias do passado. A promoção da nossa língua fora de Macau é um deserto. Segundo a webpage do Instituto Camões, este contribui com uma rede de docência de seis professores distribuídas por outras tantas universidades chinesas. O número parece simpático mas na minha opinião, além de ser muito pouco, os frutos que Portugal retira desse esforço em termos de incremento das relações económicas entre os dois países é nulo. Baseio esta conclusão nas conversas que já tive com alunos de português de duas universidades de Pequim. Ao que parece os licenciados em português não têm qualquer problema em encontrar um emprego bem remunerado, são na sua maioria rapidamente absorvidos pelas grandes companhias chinesas que operam em Angola e no Brasil. O Centro Cultural do Instituto Camões em Pequim que deveria ter um papel importante na oferta de cursos da língua portuguesa que não licenciaturas, cursos com horários pós–laborais em que os empresários chineses interessados nos produtos portugueses poderiam investir na formação dos seus funcionários, vive confinado a um espaço cedido pela Embaixada de Portugal de reduzidas dimensões que limita a organização de algo mais do que umas esporádicas exposições de uma dúzia de quadros na mesma única sala onde é possível leccionar português. Tendo em consideração as dimensões dessa sala “multiusos” poderá estimar-se com uma dose generosa de optimismo que, no máximo, 30 alunos frequentam todas as semanas os cursos de português proporcionados pelo Centro Cultural do Instituto Camões de Pequim. O plano de actividades disponível na internet é por si só demonstrativo do desinteresse de Portugal, reporta-se ao ano de 2006 e metade delas continuam com data por definir. Já os nuestros hermanos não andam a dormir. Para além de o espanhol ser uma língua com presença em diversas universidades e em diversas escolas privadas, o Instituto Cervantes também está presente com instalações próprias. Trata-se de um novo edifício (ver aqui fotografia da fachada) dotado de inúmeras salas de aula, de uma biblioteca com já alguns milhares de exemplares,  salas de exposições e auditório. Proporciona uma variada gama de cursos com diferentes níveis, para crianças e cursos especialmente vocacionados para a área dos negócios (acho que este pormenor diz tudo). Dispõe de uma página na internet muito bem estruturada que pode ser também consultada na língua chinesa (outro pormenor revelador). Depois há  todo um vasto programa cultural, 2007 foi o ano de Espanha na China (ver página criada para o efeito), centenas de actividades culturais foram realizadas nas mais importantes cidades chinesas, despertando um interesse cada vez mais crescente pelos nossos vizinhos. Já é possível assistir nos canais de televisão a touradas de uma praça madrilena !!! O abismo entre o programa de actividades das duas Instituições é de tal forma profundo que o argumento da actual discrepância económica entre Portugal e Espanha soará a ridículo. O nosso problema não é a falta de recursos naturais, o nosso problema são os portugueses.
 
publicado por Conde da Buraca às 20:01
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Quarta-feira, 25 de Julho de 2007

Saudades de Casa

A distância da Pátria e os afazeres do dia à dia fazem com que não acompanhe com a frequência desejada a actualidade nacional. Hoje, recordei-me do caso  Casa Pia, estou certo que se lembram, já foi há algum tempo mas a polémica que então gerou foi de tal ordem (até o Carlos Cruz foi metido ao barulho) que, provavelmente, ainda  permanece na memória da maioria dos portugueses. Será que alguém me poderá informar do desfecho final?

publicado por Conde da Buraca às 11:37
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Sábado, 30 de Junho de 2007

...

 

Via Arrastão

publicado por Conde da Buraca às 07:28
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Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Parece que era do Real Madrid

Na sequência deste primeiro post sobre a naturalidade de Colombo, não posso deixar de registar que quem já não parece ter dúvidas são os espanhois (qual genovês, qual quê), acaba de ser eleito como o terceiro melhor espanhol de sempre. 

publicado por Conde da Buraca às 14:34
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Domingo, 10 de Junho de 2007

O Provincianismo Português

Delicioso e demolidor este extracto de um texto de Fernando Pessoa intitulado de “O Provincianismo Português”. A sua opinião a respeito da, por vezes endeusada,  ironia de Eça de Queiroz.

 

“O exemplo mais  flagrante do provincianismo português é Eça de Queiroz. É o exemplo mais flagrante porque foi o escritor português que mais se preocupou (como todos os provincianos) em ser civilizado. As suas tentativas de ironia aterram não só pelo grau de falência, senão também pela inconsciência dela. Neste capítulo, “A Relíquia”, Paio Pires a falar francês , é um documento doloroso. As próprias páginas sobre Pacheco, quase civilizadas, são estragadas por vários lapsos verbais, quebradores da imperturbalidade que a ironia exige, e arruinadas por inteiro na introdução do desgraçado episódio da viúva de Pacheco. Compare-se Eça de Queiroz, não direi já com Swift , mas, por exemplo, com Anatole France , Ver-se-á a diferença entre um jornalista, embora brilhante, de província, e um verdadeiro, se bem que limitado, artista.”

 

In “Notícias Ilustrado”, n.º 9, série II, Lisboa, 12 de Agosto de 1928

 

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publicado por Conde da Buraca às 06:20
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Terça-feira, 24 de Abril de 2007

Colombo – Um dos Melhores Portugueses de Sempre (talvez no próximo concurso)

Ao ler a notícia de que o novo filme de Manuel Oliveira, em início de rodagem, aborda a tese de que Cristóvão Colombo (CC) é português, veio-me à memória uma frase batida o best seller de seu nome “Codex 642” da autoria do nosso Fernando Pessoa (1) do Séc. XXI, José Rodrigues dos Santos (JRS). Não, não vou divagar sobre esse marco da literatura que são as linhas que nos dão a conhecer o poder afrodisíaco da sopa de leite sueco. Só por esta pequena referência penitencio-me, tenho consciência que para um criador do calibre do JRS seja frustrante constatar que a análise à sua obra se cinja, principalmente, a um punhado de linhas. Mas quanto a isso, infelizmente, nada há a fazer, a grandeza literária desse momento é de tal ordem que, inevitavelmente, ofusca a qualidade de todos os demais. Não sei se foi esse o motivo mas a verdade é que o principal eventual mérito do livro, logo a seguir ao já referido, promover o debate público da investigação do Historiador Augusto Mascarenhas Barreto (AMB), acabou por não se concretizar. AMB dedicou vinte anos da sua vida na investigação / desenvolvimento da tese de que CC, português de gema, terá desempenhado as funções de 007 ao serviço de Sua Majestade El Rei D.João II. Segundo as suas conclusões, publicadas em dois livros (este de 1988 e mais este de 1997), D.João II, face à crescente cobiça dos nossos vizinhos pelas riquezas oriundas do Oriente, terá decidido desviar as atenções destes para outro continente que já conhecia, fazendo com que, através de CC, acreditassem que tinham descoberto as costas orientais do continente asiático. O valor desta descoberta é incalculável, não tanto por o homem ser português mas principalmente porque, afinal, ao contrário do que bradam os nuestros hermanos, deste lado da fronteira há muito que já se conhecia a forma geométrica do planeta. Por cá não havia dúvidas quanto ao caminho marítimo mais curto para a Índia, grandes gargalhadas devem ter ecoado em Lisboa com as notícias da felicidade castelhana (só uns anos mais tarde é que se aperceberam que a Ásia ficava um “pouco” mais distante). Segundo as palavras de Miguel Castelo Branco, JRS terá bebido sofregamente a tese de AMB sem deixar uma única palavra pública de louvor à fonte de inspiração. Como se sabe o Codex 632 foi um sucesso comercial mas não teve o condão de lançar o debate do tema. O novo filme de Manuel Oliveira é mais uma oportunidade que, provavelmente, também será desperdiçada. A indiferença das forças mobilizadoras de Portugal em relação a este tema é algo de inclassificável. Em 1991, numa imperdível entrevista concedida à revista Kapa, AMB relatava o alucinogénico episódio da nossa Secretaria de Estado da Cultura de então que, em resposta ao porquê de não ser tomada uma posição, terá formalmente informado a sua inutilidade, como nos seus quadros não havia pessoal qualificado para tal, o melhor seria esperar que os países estrangeiros se manifestassem (quiçá a Espanha ou a Itália). Hoje, 20 anos depois da primeira publicação, o governo português dá alguns sinais de evolução com a presença da ministra da cultura na inauguração da estátua de CC na Vila de Cuba mas sempre com muitas reservas. Referiu na ocasião Isabel Pires de Lima que gostaria imenso que fosse demonstrada a naturalidade cubana de CC mas que relativamente a essa questão, Cuba e muito menos o seu ministério, nada ordenam. Será que o motivo desta incapacidade para ordenar é a existência de algum botão encarnado que quando premido fará cair sobre Portugal uma chuva de mísseis nucleares ou será que a razão continua a ser a mesma, falta de pessoal qualificado. Se a causa é a primeira, os sucessivos governos estão de parabéns, têm conseguido evitar o desastre nuclear, se não o é, porque não se abre os cordões à bolsa e se contrata uma equipa de historiadores de renome, incluindo estrangeiros, para avaliar e emitir um parecer sobre as provas apresentadas por AMB. Seria o procedimento mínimo expectável de qualquer governo que preze pelos interesses do seu país e, estou certo, ficaria mais em conta do que a verba disponibilizada para a realização do novo filme de Manuel Oliveira. Independentemente das conclusões, estaria cumprido o dever para com o nosso passado. Sendo o resultado favorável, Portugal estaria em condições de formalmente solicitar ao Governo Espanhol a disponibilização dos dados referentes ao ADN da família Colombo (CC e o seu irmão) de forma a  poder compara-los com os antepassados identificados na árvore genealógica portuguesa, na qual se inclui o Rei D.Duarte, avô do navegador. Em nome da verdade histórica, o compartilhar de tais informações não poderia ser recusado, além do mais, facilitaria a obstinada pesquisa genética (mas sem os resultados esperados) que tem vindo a ser realizada em Espanha e Itália em busca das origens de CC. Isabel Pires de Lima acha que o seu Ministério pouco pode fazer, talvez o da Agricultura possa ajudar. Duas notas finais, uma para a imprensa portuguesa que, com raras excepções, pouco procurou saber das razões da inércia governamental, a outra para os deputados da oposição que também não têm manifestado qualquer tipo de interesse, destaco, por razões óbvias, o PPM, cujas intervenções do seu líder no parlamento, à data, se resumem na oposição ao corte dos apoios financeiros da companhia de teatro barraca e também na oposição da instituição do dia nacional do yoga.

 

(1) Fernando Pessoa é aquele personagem de chapéu e óculos arredondados que figurava entre os 10 melhores portugueses de sempre.

publicado por Conde da Buraca às 14:44
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